MST investe nas eleições para ampliar poder

O Movimento dos Sem-Terra é o mais ativo dos movimentos em ação no País e, provavelmente, o mais ambicioso. Neste momento, em diferentes pontos do território brasileiro, seus líderes discutem as próximas eleições municipais e tentam articular candidaturas de vereadores e prefeitos capazes de defender os interesses de acampamentos e assentamentos da organização. A idéia é eleger "o maior número possível de candidatos progressistas", como diz o economista João Pedro Stédile, da coordenação nacional. Essa não é a principal vertente de ação do MST. Mas dá bem uma idéia de como se movimenta em diferentes direções. Na região do Pontal do Paranapanema, oeste de São Paulo, representantes de acampados e assentados já foram lançados como pré-candidatos às Câmaras Municipais em 12 cidades. Em duas delas, Euclides da Cunha Paulista e Mirante do Paranapanema, onde se concentram vários assentamentos, se articula o lançamento de pré-candidatos à prefeitura. O PT é o partido que os militantes do MST preferem como guarda-chuva no processo eleitoral. Mas também há concorrentes nas legendas do PTB, do PSDB e até do PFL. O número de interessados é tão grande que o coordenador do MST no Estado, Delweck Mateus, alerta: "A participação política é livre, mas nenhum militante está autorizado a usar o nome do movimento." Movimentação semelhante é observada em outros Estados. Na região norte de Minas, considerada um barril de pólvora por causa das tensões entre ruralistas e sem-terra, o MST decidiu apoiar a pré-candidatura do petista Sued Parrela Botelho. Ocupando uma cadeira na Câmara de Vereadores ele é chamado de "companheiro" pelos líderes dos sem-terra. E não podia ser menos, já que ele considera "absolutamente legítima" a invasão de terras improdutivas. Rainha - Na Bahia, José Rainha, um dos líderes nacionais mais polêmicos do MST, percorreu neste mês municípios do nordeste do Estado, onde se concentram assentamentos, para discutir eleições. Retornou a Salvador entusiasmado, dizendo que o PT tem boas chances no interior, se souber divulgar seus feitos. Deu como exemplo a ampliação de programas sociais, como o Bolsa-Escola. "Infelizmente, não se encontra uma faixa nessas cidades dizendo que o Bolsa-Escola é do governo do PT." Na Bahia, existem cerca de 135 mil pessoas que mantêm algum tipo de vínculo com o MST, segundo seus líderes. O objetivo é direcionar esse potencial eleitoral para candidatos comprometidos com a reforma agrária.

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