MST invade sete áreas em dois dias em Pernambuco

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) fez quatro novas ocupações neste domingo em Pernambuco. Dois dias após o início da ?jornada nacional de ocupações?, sete áreas já foram invadidas no Estado. De acordo com informações da coordenação estadual do MST, até o final da jornada, no dia 17 de abril, o número de ocupações deve chegar a 25.Neste domingo, foram ocupadas áreas nas cidades de São Lourenço da Mata (Engenho General, pertencente ao grupo Votorantim), na Região Metropolitana do Recife; Pesqueira (Fazenda Santa Maria) e Bonito (Engenho Baé), no Agreste do Estado, e Jucati (Fazenda Santa Marta), no Sertão Central.Ao todo, de acordo com o MST, duas mil famílias participaram das ações de ocupação deste domingo. No sábado, três fazendas foram invadidas. Segundo os coordenadores do movimento, 1.300 famílias participaram das ações, ocorridas nas regiões Agreste e Sertão.SábadoA primeira área ocupada foi a propriedade conhecida como Fazenda Mumbuca, com 1,7 mil hectares, localizada no município de João Alfredo, no Agreste pernambucano. A ação foi realizada nas primeiras horas da madrugada do sábado. Cerca de 150 famílias que estavam acampadas em áreas próximas reivindicam a desapropriação do local sob a alegação de que a fazenda é improdutiva.As outras duas ocupações ocorreram no Sertão do Estado, respectivamente nos municípios de Serrita e Inajá. Em Serrita, a fazenda Paada/Sussuarana foi invadida por 180 famílias. Em Inajá, o alvo foi a fazenda Boi Caju. Com 21 mil hectares, a área foi ocupada por cerca de mil famílias.PM informadaA Polícia Militar de Pernambuco confirma que vem sendo informada das invasões, mas não está promovendo intervenções. Apesar de não haver registro oficial de conflito, segundo os sem-terra, o clima é tenso em algumas propriedades.Segundo a Assessoria de Imprensa da PM, a ordem dada pelo comando da corporação é de evitar qualquer confronto.Risco de conflitoO Engenho General, um dos oito engenhos pertencentes à Usina Tiúma, de propriedade do empresário paulista Antônio Ermírio de Morais, é apontado como sendo uma área com grande risco de conflito.?Tem gente armada rondando as barracas. Os companheiros estão dispostos a resistir. Esperamos que não haja violência. Muitas das áreas ocupadas já tiveram os pedidos de desapropriação oficializados no Incra?, afirmou o coordenador estadual do movimento, Jaime Amorim.Além do MST, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura em Pernambuco (Fetape) e o Movimento Revolucionário dos Sem terra (MRST) reivindicam a desapropriação da área junto ao Incra.AcampamentoConsiderada pela coordenação nacional do movimento como uma das regionais mais atuantes do País, o MST pernambucano prepara também a instalação de um acampamento provisório na Usina Aliança, localizada no município de Catende, na Zona da Mata ? propriedade reivindicada pelos sem-terra desde o início da década de 90.A previsão é de que dois mil militantes ligados ao movimento participem da ação, que deve acontecer entre os dias 11 e 12, véspera da realização de uma audiência da Ouvidoria Agrária Nacional, marcada para o próximo dia 13. A intenção dos sem-terra é apressar a vistoria nas terras da usina, prometida desde maio do ano passado e ainda não realizada pelo Incra. No dia 17, está marcada uma caminhada pelas principais ruas do Recife.146 áreas ocupadasDe acordo com Jaime Amorim, 18 mil famílias são ligadas ao MST em Pernambuco. A maioria delas vive em uma das 146 áreas ocupadas pelo movimento no Estado. O superintendente regional do Incra em Pernambuco, João Farias não foi localizado.Informações fornecidas por fontes ligadas ao superintendente são de que uma reunião entre representantes do órgão e integrantes do MST deve acontecer nos próximos dias. ?Os ânimos estão bastante alterados. A intenção do Incra não é proibir nada e muito menos ameaçar. Só queremos evitar confrontos?, declarou a fonte.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.