MST invade sede do Instituto de Terras de São Paulo

Cerca de 200 integrantes do Movimento dos Sem-Terra (MST) invadiram nesta quarta-feira, 30, a sede regional do Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp), em Presidente Prudente, no Pontal do Paranapanema, extremo oeste do Estado. O grupo protestava contra a demora do órgão do governo estadual em liberar terras para assentamentos na região.Os sem-terra chegaram em ônibus e carros, provenientes de vários acampamentos da região, ocuparam o salão de entrada e acamparam na frente do prédio. A invasão ocorreu às 9h30 e durou até as 17 horas, quando os sem-terra deixaram o prédio, acompanhados de longe pela Polícia Militar. Eles prometeram invadir cinco fazendas na região.O ato significou o rompimento de uma trégua que já durava três meses. Desde o início de junho, o MST não se mobilizava na região de maior conflitos fundiários do Estado. De acordo com a coordenadora regional do MST, Maria Aparecida Gonçalves, a ação visava a pressionar o Itesp para apressar a aquisição de terras no Pontal. "O governo federal repassou R$ 28 milhões e, se não forem usados até o fim do ano, terão de ser devolvidos."Segundo ela, lideranças estaduais do MST estavam reunidos com a secretária de Justiça e Defesa da Cidadania, Eunice Prudente, em São Paulo, em busca de uma solução para o Pontal. Representantes do Itesp e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) também participavam do encontro. "Nos últimos quatro anos, não se arrecadou um palmo de terra nesta região para assentamento", reclamou a coordenadora.São 1.500 as famílias acampadas na região, de acordo com a coordenadora. "Muitas estão há mais de 6 anos debaixo da lona." Maria Aparecida disse que parte da verba, de R$ 4 milhões, já foi depositada na conta do Itesp. "Tem cinco áreas já negociadas, mas o dinheiro está parado."O diretor regional do Itesp, Túlio Vanalli, confirmou a existência da verba, mas disse que a aquisição depende de acordo com os proprietários das terras. "As fazendas são objeto de ações discriminatórias e, para que possamos adquiri-las, é preciso fazer acordo com os donos."A lei permite que o Estado pague apenas as benfeitorias das terras, o que dificulta o acordo. O resultado da reunião em São Paulo desagradou os sem-terra. Em assembléia, eles decidiram continuar mobilizados. "Continuamos na estaca zero", disse a coordenadora. Ela convocou os sem-terra para novas invasões. "Vamos ocupar as cinco fazendas e outras mais, pois a reforma agrária só funciona na pressão." Ela não revelou quando serão realizadas as ações.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.