MST invade primeira fazenda neste ano no Pontal

Cerca de 150 integrantes do Movimento dos Sem-Terra (MST) invadiram nesta quarta-feira a Fazenda Três Irmãos, no município de Rosana, no Pontal do Paranapanema, no extremo oeste do Estado de São Paulo, em um comboio formado por três caminhões, um ônibus e dois carros. Derrubaram a cerca e começaram a montar os barracos sobre a área de pastagem.De nada adiantaram os protestos do administrador Jesus Brione. Ele teve de se contentar com a retirada das 22 cabeças de gado nelore que estavam no local invadido.É a primeira invasão do MST em área produtiva do Pontal neste ano e ocorre um dia após uma audiência dos coordenadores regionais com o secretário estadual de Justiça e Defesa da Cidadania, Alexandre Moraes. "Estamos mostrando a cara para o governo ver que tem muita gente para assentar", justificou o coordenador Paulo Costa Albuquerque, de 28 anos.Albuquerque, que no dia anterior se sentara com o secretário para negociar o fim dos conflitos fundiários na região, comandou pessoalmente a ação. O comboio dos sem-terra saiu do Acampamento Chico Mendes, na zona rural de Rosana e, segundo as primeiras informações, deveria se juntar ao grupo acampado na entrada de Sandovalina.Chegando à rodovia Arlindo Bétio, os veículos tomaram a direção de Rosana. O grupo havia decidido acampar na entrada do distrito de Porto Primavera. Próximo de um posto da Polícia Rodoviária, o comboio deixou a rodovia e pegou uma estrada de terra, seguindo-se a invasão.A fazenda toda tem 116 hectares e, para os padrões fundiários do Pontal, não passa de uma pequena propriedade. A gleba fica a 8 quilômetros do distrito de Porto Primavera.A formação de novos acampamentos em locais próximos de cidades faz parte de uma estratégia da coordenação nacional do MST para colocar o movimento outra vez em evidência, segundo o coordenador regional Valmir Luís Sebastião. "Nos últimos dois anos, com a perseguição do (presidente) Fernando Henrique Cardoso, nós passamos a fazer mais um trabalho de base." O MST se dedicou, segundo ele, a cadastrar famílias nas cidades."Agora, com a sinalização do presidente Lula e do próprio governo estadual de que vai haver assentamentos, a ordem é mobilizar." Isso não significa, segundo Sebastião, a retomada das invasões de terras particulares. "Vamos para a beira de estradas perto das cidades, onde podemos ter acesso a escolas, postos de saúde e água." Nessas áreas, que são públicas, também é mais fácil agregar famílias novas ao movimento, segundo ele.

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