MST invade praças de pedágio no Paraná e liberam catracas

Cerca de 3 mil integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), segundo o movimento, invadiram, na manhã desta terça-feira, 25 das 27 praças de pedágio espalhadas pelas rodovias do Paraná e liberaram a passagem de todos os veículos sem pagamento das taxas. Eles se uniram às manifestações nacionais da Jornada de Luta pela Reforma Agrária e para pedir punição aos acusados da morte de 19 sem-terra em 1996, em Eldorado de Carajás (PA). No Paraná, às questões agrárias, sobretudo o assentamento de 8 mil sem-terra, foi acrescentado o protesto contra as taxas de pedágio cobradas pelas concessionárias. "Os pedágios são hoje um dos principais entraves para a pequena agricultura", afirma o MST, em nota. A polícia não interveio nas invasões, mas não foram registrados tumultos.Somente não foram invadidas uma praça em Jaguariaíva, no norte do Paraná, da concessionária Rodonorte, e outra em Imbituva, no sul do Estado, da concessionária Caminhos do Paraná. No início da tarde, os sem-terra deixaram espontaneamente a praça de Prudentópolis, também no sul, administrada pela Caminhos do Paraná. Nos outros locais, os sem-terra prometem manter o protesto até a tarde de quarta-feira. Eles distribuem folhetos sobre a reforma agrária e, em alguns lugares, vendem bonés. A Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias (ABCR) informou que todas as concessionárias entraram com pedido de reintegração de posse. Até o fim da tarde, a Ecovia, que tem um pedágio na BR-277, em direção ao litoral do Estado, havia conseguido liminar, mas os sem-terra não a cumpriram.A praça da Ecovia normalmente é preservada durante as manifestações dos sem-terra pelo Estado, em função de ficar longe de acampamentos. Mas desta vez até panelas e colchões foram levados. As concessionárias liberaram os funcionários. Em algumas das praças de pedágio, como as da Rodonorte, foram cortados cabos telefônicos e das câmeras de segurança. Mas, além dos estragos, o maior prejuízo para as concessionárias é a passagem dos veículos sem pagamento. Somente na Ecovia, estima-se que passem por dia cerca de 25 mil veículos, sobretudo caminhões, visto que está no período da safra agrícola. Apesar de não pagar o pedágio, o diretor-executivo da Federação dos Transportes do Paraná, Sérgio Malucelli, reclamou da atitude dos sem-terra e aconselhou as empresas a reterem os carros nas garagens. "É um absurdo, porque esse movimento busca puramente o poder", disse. Segundo ele, o temor é que, do mesmo modo que invadem as praças de pedágios, os sem-terra passem a apedrejar caminhões. "O governo federal precisa assumir sua responsabilidade e dar garantias para quem quer produzir", pediu.

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