MST invade outra área, driblando medida provisória

O Movimento dos Sem-Terra (MST) de Pernambuco fez nesta segunda-feira mais uma ocupação de terra, a décima em 5 dias no Estado, usando estratégia que dribla a medida provisória que impede vistorias, por dois anos, em áreas ocupadas.O movimento tem entrado em terras que não são o alvo real das desapropriações para reivindicar vistorias e reforma agrária em outros locais. Para cada propriedade ocupada, eles apontam uma média de quatro outras terras que são do seu real interesse.?Não podemos ficar reféns da medida provisória, e nem o governo?, afirmou o coordenador regional e integrante da direção nacional do movimento, Jaime Amorim. Segundo ele, o artifício está sendo usado em todo o País, apesar de não haver orientação nacional do MST nesse sentido.Segundo o líder dos sem-terra, pode chegara 20 o número de ocupações no Estado até o dia 17, Dia Internacional de Luta pela Reforma Agrária. A ocupação desta segunda ocorreu na Fazenda Pitombeira, em Ouricuri, no sertão, com a participação de 120 famílias.O superintendente regional do Incra, João Farias, disse que a lei será cumprida pelo governo, mas observou que a MP, ?criada para paralisar os movimentos, não teve êxito e represou a demanda que agora está estourando de forma complicada?.Segundo ele, a MP abre brecha para que as ocupações se dêem em terras produtivas, como forma de reivindicar terras improdutivas que ficariam inviabilizadas se ocupadas. ?Issopoderá agravar o conflito pela terra, em vez de reduzi-lo?, alertou.Na avaliação de Farias, o número de ocupações realizadas até agora pelo MST é pequeno. Ele lembrou que há dois anos a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado (Fetape) ocupou 50 áreas em um só dia. E lembrou que o atual período é propício às ocupações porque coincide com o desemprego na área da cana-de-açúcar com o início da entressafra.O superintendente se reuniu nesta segunda-feira com vários movimentos de luta pela terra para apresentar a proposta do Ministério do Desenvolvimento Agrário para este ano, de assentar 60 mil famílias e recuperar 40 mil famílias assentadas com crédito e assistência. O encontro visa compatibilizar a demanda dos movimentos com a capacidade operacional do órgão.

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