MST invade fazenda pela terceira vez no Rio Grande do Sul

Objetivo é pressionar o governo a adquirir área de quase 600 hectares para o programa de reforma agrária

ELDER OGLIARI, Agencia Estado

21 de agosto de 2007 | 18h35

Cerca de oitenta famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) invadiram, pela terceira vez este ano, a Fazenda Capão da Roça, da empresa Delta Par, em Charqueadas, a 56 quilômetros de Porto Alegre, na manhã de hoje. O grupo montou acampamento em torno da casa do capataz e avisou que pretende pressionar o governo a adquirir a área de quase 600 hectares para o programa de reforma agrária.Como a propriedade já foi invadida outras duas vezes, em abril e maio deste ano, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) informou que está impedido de vistoriá-la para verificar índices de produtividade. Também destacou que só pode avaliar a possibilidade de adquirir a área se houver uma oferta do proprietário.Segundo o MST, a propriedade rural poderia ser destinada a um assentamento de pequenos produtores de leite e gado que estão acampados na região e não dispõem de terra para a atividade. Os sem-terra acusam a proprietária anterior, a Copelmi Mineração, de poluir a área com rejeitos industriais, e a atual, a Delta Par, de plantar eucaliptos em terrenos que poderiam produzir alimentos. "A fazenda está inutilizada, mas a agricultura e a pecuária podem recuperá-la", afirma um dos coordenadores do MST no Estado, Carlos Mandacaru.O diretor da Copelmi, Carlos Faria, diz que a empresa já restaurou uma pequena área degradada que existia dentro da fazenda. A Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) confirma que a mineradora cumpriu todas as exigências para a recuperação ambiental do terreno. A Delta Par não se manifestou sobre o assunto. Nas invasões anteriores, a empresa recorreu à Justiça, que emitiu mandado de reintegração de posse.

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