MST invade fazenda em São Borja-RS

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) invadiu hoje a Fazenda Palermo, em São Borja (RS), para pressionar o governo do Estado a concluir a desapropriação da área e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) a assentar as cerca de mil famílias acampadas em diversas regiões do Rio Grande do Sul. A propriedade rural de 1,2 mil hectares, voltada à pecuária, já havia sido ocupada duas vezes, em 2005 e 2006.

ELDER OGLIARI, Agência Estado

21 de março de 2011 | 18h52

Segundo informações da Polícia Militar (PM), um grupo formado por acampados de diversas cidades do noroeste do Estado, com cerca de 250 pessoas, chegou à fazenda antes do amanhecer, rendeu o caseiro por horas e montou acampamento. A investigação deve apurar se a ocupação foi precedida pela presença de um grupo armado que teria intimidado os funcionários da fazenda, ação que o MST nega.

A Fazenda Palermo está em disputa judicial desde 2001, ano em que foi declarada de interesse social para desapropriação pelo governo gaúcho, que na época mantinha um programa estadual de reforma agrária. Os sem-terra sustentam que em tal área podem ser assentadas 54 famílias. O atual governo do Estado preferiu reestudar o processo antes de se manifestar.

Os sem-terra passaram o dia acampados na fazenda. Um grupo de soldados enviado PM isolou a área para evitar a chegada de mais invasores. Não houve conflitos. O presidente do Sindicato Rural de São Borja, Dirceu Dornelles Filho, disse que o proprietário, José Renan Toniazzo, já pediu a reintegração de posse.

Em nota à imprensa, o MST afirma que "a reforma agrária é a saída para o atraso do latifúndio na região de São Borja", exige que o governo do Estado finalize a desapropriação da área e que o governo federal cumpra compromissos assumidos em 2008 de assentar todas as famílias acampadas no Rio Grande do Sul.

No final do documento, o MST critica o governo de Luiz Inácio Lula da Silva por assentar menos famílias do que o de seu antecessor Fernando Henrique Cardoso e também a presidente Dilma Rousseff, por não apresentar um plano de reforma agrária. O Incra informou, por sua assessoria de imprensa, que assentou 2.269 famílias no Estado desde 2008 e que 619 delas receberam seus lotes de terra em 2010.

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