MST invade fazenda e faz ´alerta´ contra devastação

Apenas 48 horas depois da invasão em Goiás, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) partiu para nova ofensiva e ocupou na segunda-feira a fazenda Qualibrás, que produz camarão em cativeiro no município cearense de Itapipoca, a 140 quilômetros de Fortaleza.Eram 5 horas da manhã quando 150 famílias ocuparam a propriedade, de 200 hectares. A direção do movimento informou que não vai recuar nem mesmo diante de ordem judicial para reintegração de posse. "Vamos resistir", anunciou Marcelo Matos, integrante da direção estadual do movimento no Ceará.Matos afirmou que a pauta de reivindicações vai além da reforma no campo. "O objetivo da ação é alertar o Brasil para a devastação de mangues provocada por esse tipo de exploração. A agressão ao meio ambiente é muito grave porque afeta a biodiversidade, esta é uma razão do protesto", assinalou o representante do MST.Os proprietários da Qualibrás não foram localizados para falar sobre a invasão. Segundo os sem-terra, um empresário teria dito que ia chamar a polícia para desalojá-los. "Pode vir polícia que não vamos sair", declarou Matos.PressãoSegundo ele, a ocupação visa também a pressionar o governo para que promova a imediata demarcação de terras indígenas e retome o programa de reforma agrária no Estado. "Queremos chamar a atenção da sociedade".O MST pediu audiência no Incra e na Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agrário. "O País precisa se preocupar com o volume de terras devastadas para construção de grandes hotéis cinco estrelas à beira dos rios que abastecem as cidades", insistiu.Matos destacou que 300 trabalhadores estão na fazenda de camarão. Ele informou que há quase 5 anos o MST aguarda em dois acampamentos, Malamba e Guaribas, a conclusão de processos de desapropriação e imissão de posse das áreas. "A idéia é mesmo resistir", disse.Segundo ele, no Ceará há 1.700 famílias acampadas. Em 2006, informou, a meta anunciada pelo governo por meio do Plano Nacional de Reforma Agrária era fazer o assentamento de mais 2.000 famílias. "Não passou de 206", protesta. "O governo Lula foi uma negação para os sem-terra".

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