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MST invade fazenda do filho da senadora Kátia Abreu no Tocantins

Em nota, movimento alegou que propriedade foi multada pelo Ibama por desmatamento irregular; parlamentar disse que não vai se 'amedrontar'

Célia Bretas Tahan, especial para o Estado de S. Paulo

07 de março de 2013 | 09h38

Texto atualizado às 17h33

PALMAS- A Fazenda Aliança, do deputado federal Irajá Abreu (PSD-TO), foi invadida na manhã desta quinta-feira, 7, por cerca de 500 mulheres do Via Campesina, do Movimento Sem Terra (MST), e do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). Irajá Abreu é filho da senadora Kátia Abreu (PSD-TO), presidente da Federação de Agricultura e Pecuária do Tocantins (Faet) e da Confederação Brasileira de Agricultura e Pecuária (CNA).

As invasoras impediram a saída de 48 trabalhadores e fecharam as duas pistas da BR-153 (Belém-Brasília), ateando fogo em pneus. Segundo a assessoria do deputado, cerca de 500 mudas de eucalipto teriam sido destruídas, provocando um prejuízo de R$ 500 mil. A ação foi referente ao Dia Internacional da Mulher, 8 de março, com o tema Mulheres Sem Terra na Luta contra o Capital e pela soberania dos Povos. Uma das invasoras, Cristina Lima, negou ter havido destruição de mudas de eucaliptos e funcionários reféns. Disse, ainda, que a paralisação da rodovia foi por curto período de tempo e que a desocupação da fazenda ocorreu antes do meio-dia.

O MST alegou que, segundo o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Tocantins, a fazenda havia sido embargada em 2011 e em 2012, por desmatamento de área de preservação permanente. O Ibama confirmou ter multado a fazenda, mas o deputado contestou as autuações na Justiça.

A dirigente do MST no Tocantins, Marina Silva, deixou claro que um dos objetivos é atingir a senadora. "Kátia Abreu é símbolo do agronegócio e dos interesses da elite agrária do Brasil, além de ser contra a reforma agrária e cometer crimes ambientais em suas fazendas. Por isso, estamos realizando esse ato político e simbólico em sua propriedade", afirmou.

Para as integrantes do MST e do MAB, o "Tocantins é exemplo da disparidade entre o montante de verba recebida pela agricultura camponesa e o agronegócio". Ainda de acordo com as invasoras, para 2012-2015 está prevista a aplicação de R$ 1.483.720.647,00 pelo governo do Estado no Programa de Infraestrutura Hídrica para Irrigação e Usos Múltiplos, destinado à instalação de grandes projetos hidroagrícolas no Tocantins. Dizem, também, que, o programa relativo às ações voltadas à agricultura familiar possui apenas R$ 154.087.056,00, aproximadamente 10% do destinado aos grandes projetos hidroagrícolas.

Segundo as mulheres que invadiram a fazenda de Irajá Abreu, a agricultura familiar ocupa apenas 18,8% das terras tocantinenses, embora produza 91% do feijão de corda, 84% da mandioca, 62% do leite e derivados, 62% do feijão, 59% dos suínos, 50% do milho, 48%das aves e 38% do arroz. "Queremos que o governo invista da mesma forma nos dois setores", afirmou Marina Silva. O deputado Irajá Abreu, por meio de nota, informou que a fazenda não está embargada, é produtiva há mais de 40 anos.

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