MST invade fazenda de Dantas no Pará

Mil sem-terra fizeram ocupação, 'em protesto contra corrupção do grupo do banqueiro', segundo líder

Carlos Mendes, O Estadao de S.Paulo

26 Julho 2008 | 00h00

A Fazenda Maria Bonita, localizada em Eldorado dos Carajás, no sul do Pará, foi invadida ontem por mil agricultores ligados ao Movimento dos Sem-Terra (MST). A propriedade pertence ao grupo Opportunity, do banqueiro Daniel Dantas, preso na Operação Satiagraha da Polícia Federal. O grupo do banqueiro comprou a fazenda do pecuarista paraense Benedito Mutran Filho, que vendeu a ele também as fazendas Cedro e Espírito Santo. As três áreas têm mais de 100 mil cabeças de gado. Segundo o coordenador estadual do MST, Charles Trocate, a invasão foi um "protesto contra a corrupção do grupo desse banqueiro na região". A Polícia Militar foi chamada por um gerente da fazenda, mas disse que só por intermédio de ação de reintegração de posse poderia retirar os invasores. Com foices e enxadas, eles armaram barracos dentro da propriedade, expulsando quem encontravam pela frente, segundo relato de funcionários. O vaqueiro João Pedro dos Santos, que trabalha em uma área vizinha, foi quem chamou a polícia. "Essa turma do MST não é de brincadeira. Quem se mete a besta com eles acaba com a boca cheia de formiga", comentou Santos. A Agropecuária Santa Bárbara preparava no fim da tarde de ontem um pedido de reintegração de posse. Segundo Trocate, a intenção dos sem-terra é obter do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) a desapropriação não apenas da Fazenda Maria Bonita, mas de outras 15 áreas que teriam sido adquiridas por Daniel Dantas no sul do Pará. "O pessoal do banqueiro que trabalha na fazenda está todo armado, mas não fez nada. Após a chegada da PM, eles seguiram para a sede da fazenda", disse o coordenador do MST no Estado. No começo da noite, a direção estadual do movimento informou que dezenas de barracos continuariam sendo construídos. Segundo a PM, os agricultores montaram o centro de suas operações em uma área às margens da rodovia, a 2 quilômetros da sede da fazenda. A assessoria da Agropecuária Santa Bárbara afirma que a fazenda é a "mais produtiva do Pará" e deve ter sido escolhida pelo MST porque o local "foi alvo de reportagens recentemente". Em nota divulgada, a empresa diz que o índice de produtividade é 4,3 vezes superior à média do Estado do Pará, segundo dados deste ano do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). "O grau de eficiência do imóvel, conforme as tabelas de ocupação por unidade animal por hectare, é superior a 500%, quando o Incra aceita o mínimo de 100%", informa a nota, alegando que a área não é passível de desapropriação. A Santa Bárbara se diz a segunda maior organização privada do Pará, gerando mais de 1.600 empregos formais e mais de 10.000 indiretos.

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