MST invade fazenda de cana em Americana

Cerca de 100 famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) invadiram nesta terça-feira, 15, a Fazenda Salto Grande, uma área de 124 hectares de plantação de cana-de-açúcar da usina Esther, em Americana, a 140 km de São Paulo. De acordo com a coordenadora do movimento, Cláudia Praxedes, as terras pertencem ao Estado e integram um projeto de assentamento elaborado pelo Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp). A empresa alegou que é arrendatária da gleba. Uma tropa da Polícia Militar bloqueou o acesso ao terreno. O comandante do 19º Batalhão, Tenente Takiushi, disse que foi avisado da invasão pela usina e dirigiu-se ao local com a tropa, constatando que a ação estava em andamento. "Como invasão é crime, isolamos a área para adotar as medidas cabíveis", explicou. Segundo Cláudia, os policiais não exibiram mandado judicial e agiram com truculência. "Vamos entrar com uma representação contra o comandante da tropa", disse. Takiushi alega que quando se trata de crime em flagrante, não há necessidade de mandado. "Os invasores só não foram presos porque assumiram o compromisso de sair da área espontaneamente", afirmou. As terras foram desocupadas no fim da tarde. Os sem-terra voltaram para o pré assentamento Nilton Santos, em uma área vizinha. "Temos uma reunião agendada com o Itesp e a Secretaria de Justiça, no dia 30, para resolver a questão dessa área", disse a coordenadora do MST, acrescentando que a fazenda foi penhorada por dívidas com o Estado e a União, em 1977. A parte pertencente ao governo federal já foi desapropriada e abriga o pré assentamento. A área do Estado está em posse da usina, que fez um contrato de arrendamento com o proprietário. De acordo com a PM, o processo que envolve a propriedade das terras ainda tramita na justiça, que já se manifestou, em primeira instância, julgando legal o contrato de arrendamento.

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