MST invade fazenda da Suzano e dá início a ´abril vermelho´

Cerca de 180 integrantes do Movimento dos Sem-Terra (MST) invadiram no último domingo, 8, à noite uma fazenda da Companhia Suzano de Papel e Celulose em Itapetininga, a 170 quilômetros de São Paulo. É a primeira invasão do chamado "abril vermelho" - mês em que se intensificam as ações do movimento - no Estado de São Paulo. Uma outra fazenda foi ocupada, no município de Bonito, no agreste pernambucano.A área da Companhia Suzano, utilizada para reflorestamento, fica no Bairro dos Veados, na divisa com o município de Angatuba. O grupo montou um acampamento a cerca de 500 metros da Rodovia Raposo Tavares (SP-270), que corta a propriedade. Os sem-terra bloquearam o acesso à propriedade com troncos de madeira. De acordo com a direção nacional, a ocupação foi planejada para "denunciar a expansão do eucalipto no interior do Estado" e também "a destruição ambiental causada pela monocultura". Moradores do bairro reclamaram que os sem-terra cortaram árvores para montar os barracos. Os líderes negaram o corte de árvores, mas não permitiram a entrada da reportagem no acampamento. Parte dos sem-terra saiu de um acampamento montado na frente do Centro de Caprino e Ovinocultura da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado, em outro bairro do município. Outros integrantes foram recrutados recentemente pelo movimento em Capão Bonito, Buri e Campina do Monte Alegre, cidades da região. De acordo com o coordenador regional Joaquim da Silva, o MST não reivindica a área invadida, mas outras fazendas da região que já foram vistoriadas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). "As terras foram dadas como improdutivas, mas até agora o assentamento não saiu", reclamou. Ele disse que a fazenda da Suzano foi "o alvo" porque as terras "não produzem alimentos, só eucalipto". CarajásDe acordo com a direção nacional, a ação faz parte de uma série de mobilizações que irão marcar os 11 anos da morte de 19 sem-terra pela Polícia Militar em Eldorado dos Carajás, no Pará, em 17 de abril de 1996. Segundo o movimento, apesar da repercussão internacional, o processo dos dois comandantes da operação policial está parado nos tribunais e eles continuam em liberdade. A assessoria jurídica da Suzano informou que vai entrar no Fórum de Itapetininga com pedido de reintegração de posse. A liminar pode ser dada nesta terça-feira. De acordo com a empresa, a área invadida faz parte do manejo florestal de eucalipto desenvolvido também em outras fazendas da região. O coordenador do MST disse que não há intenção de resistir à ordem judicial. A assessoria do Incra em São Paulo informou que a única área com decreto de desapropriação por improdutividade no município é a Fazenda Sapetuva, mas os donos entraram com recurso na Justiça e o processo ainda não foi julgado.(Colaborou Angela Lacerda)

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