MST invade duas fazendas no Rio Grande do Sul

Cerca de 1,8 mil famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) invadiram hoje de madrugada duas fazendas no interior do Rio Grande do Sul. A sede da Cabaña Santa Bárbara, no município de São Jerônimo, foi ocupada por volta das 4h por 1,5 mil agricultores, enquanto outros 1.876 sem-terra tomaram a fazenda Bom Retiro, em Júlio de Castilhos. Os proprietários da Bom Retiro, que possui 2,8 mil hectares, obtiveram uma ordem judicial para a reintegração de posse poucas horas depois da invasão, mas até as 18h o governo gaúcho não havia sido comunicado para acionar a Brigada Militar.O dono da fazenda de Júlio de Castilhos, Gabino José Schiavon, acusou os sem-terra de terem usado armas de fogo na invasão. Um disparo, segundo ele, teria atingido uma das janelas da casa onde sua família vive. "Não posso dizer se atiraram para assustar ou para matar", afirmou Schiavon. A proprietária da cabaña, que cria gado da raça Angus em 1.250 hectares, também denunciou "um tiroteio" e o "arrombamento da casa", mas os líderes do MST negaram todas as acusações. Segundo um dos coordenadores do movimento, Paulo da Rosa, eles permanecerão nas fazendas até serem atendidos pelo governos federal e estadual. De acordo com os líderes do MST, as ocupações fazem parte de uma jornada de luta pela reforma agrária. Eles reclamam da falta de empenho do governo federal em desapropriar terras, mas também cobram mais agilidade do governador Olívio Dutra, que havia prometido assentar 10 mil famílias até 2002, mas até agora só concretizou um quarto da meta. Cerca de 3,2 mil famílias ligadas ao MST aguardam por terras no Rio Grande do Sul.

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