MST invade duas fazendas na região de Iaras

Sem-terra cortaram as cercas e iniciaram a montagem dos acampamentos próximo das respectivas sedes

José Maria Tomazela , de O Estado de S.Paulo

20 de novembro de 2008 | 16h16

Para comemorar os 13 anos da presença do movimento na área, o Movimento dos Sem-Terra (MST) mobilizou 250 famílias e invadiu duas fazendas, nesta quinta-feira, 20, na região de Iaras, no centro-oeste paulista, a 330 km da capital. Foram ocupadas as fazendas Tangará e Marruá, que são vizinhas e têm um total de 750 hectares, na divisa dos municípios de Iaras e Agudos. Os sem-terra cortaram as cercas e iniciaram a montagem dos acampamentos próximo das respectivas sedes. As fazendas estão ocupadas com lavoura de cana-de-açúcar. O coordenador estadual do MST, Delweck Matheus, disse que as terras já foram consideradas improdutivas em vistoria realizada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). "Queremos o assentamento imediato das famílias." Os proprietários arrendaram as terras para o plantio de cana na tentativa de maquiar a improdutividade, segundo ele. "Estamos propondo a reforma agrária como alternativa para o etanol, um modelo que está falindo com a crise internacional." Matheus disse que os arrendatários foram autorizados a colher a cana já plantada. "São eles que estão usando a terra e não os donos." Desde 1995, o MST está na região de Iaras, quando 300 famílias ocuparam a Fazenda Capão Rico de 2.558 hectares. Segundo o líder, além de comemorar o aniversário da instalação do assentamento Zumbi dos Palmares, as ocupações marcam a retomada das ações do MST na região. "São mais de 10 mil hectares de terras a serem destinadas à reforma agrária." Dessas, mais de 4 mil hectares são terras particulares dadas como improdutivas e incluem, além das glebas invadidas ontem, as fazendas Suinã, Ponte e Nossa Senhora de Fátima. Outros 6 mil hectares seriam terras da União ocupadas por fazendeiros. "Nosso plano de ação para 2009 inclui a transformação dessas terras em assentamento para criar aqui um pólo de produção", disse Matheus. O comando da Polícia Militar na região confirmou as invasões. Segundo a PM, os donos foram orientados a entrarem na Justiçacom ações de reintegração de posse. Em abril deste ano, integrantes do MST já haviam invadido a fazenda Turvinho, da empresa Cutrale, na mesma região. Também ocuparam, durante o chamado "abril vermelho", uma área do grupo cervejeiro Ambev em Agudos.

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