MST invade duas fazendas em Goiás

O MST invadiu duas propriedades em Goiás, numa ação que envolveu mais de 600 famílias. Segundo os organizadores do movimento, novas invasões podem ocorrer a qualquer momento no Estado. "Tudo pode acontecer", avisa o coordenador estadual do MST em Goiás, José Valdir Misnerovicz.As duas invasões começaram no sábado, como parte do que os sem terra chamam de Jornada Nacional pelos Mártires de Carajás, em memória das vítimas do massacre de Eldorado dos Carajás, ocorrido no sul do Pará, em 1996. No município de Niquelândia, a 350 quilômetros de Goiânia, 320 famílias de sem-terra invadiram a Fazenda Forquilha 2, pertencente ao Grupo Votorantim. A outra invasão ocorreu no município de Diorama, a 250 quilômetros de Goiânia, na Fazenda Velhos Tempos, de propriedade de Artur Barros, onde 300 famílias ocupam a área. A Polícia Militar cerca as duas fazendas e aguarda decisão da Justiça. "Queremos negociar", diz o dirigente do MST.Segundo Misnerovicz, o MST tem mais de 2,4 mil famílias acampadas no Estado e que podem ocupar áreas "a qualquer momento". Ele cita o Acampamento Dão Roriz, em Crixás, a 320 quilômetros de Goiânia, como uma das grandes forças do movimento. "Temos mil famílias acampadas lá, mas nossa meta é chegar a 1,5 mil", declarou.O movimento tem ainda outros três grandes acampamentos no Estado: em Cesarina (a 100 quilômetros de Goiânia), com 80 famílias; em Rio Verde (a 280 quilômetros de Goiânia), com 40 famílias e em Goiânia, onde 240 famílias estão acampadas em frente à sede do Incra. Marcha em AlagoasCerca de 1,7 mil trabalhadores rurais sem-terra, ligados a três movimentos (MST, CPT e MT), estão em marcha desde a semana passada, vindos de municípios de duas regiões de Alagoas (Agreste e Zona da Mata), em direção a Maceió, onde vão participar, na quarta-feira, de uma grande manifestação em homenagem às 19 vítimas do massacre de Eldorado dos Carajás, ocorrido em 17 de abril de 1996, no Estado do Pará. Está programada passeata pelas ruas da cidade e missa na Catedral Metropolitana. Os 750 sem-terra ligados ao MST, que saíram na semana passada da região de Arapiraca, chegaram a Maceió hoje à tarde e estão acampados no câmpus da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Os sem-terra ligados ao Movimento dos Trabalhadores (MT) e à Comissão Pastoral da Terra (CPT) saíram hoje à tarde da região de Messias, em direção a Maceió, aonde chegam na terça-feira, pernoitam na Ufal e na quarta-feira participam, junto com o MST, da passeata até o centro da cidade.

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