MST intensifica manifestações do ´abril vermelho´ no País

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) intensificou nesta terça-feira, 17, a ofensiva de invasões em todo o País, como parte do ?abril vermelho? - jornada que marca a data do massacre de Eldorado dos Carajás, no Pará, e completa 11 anos nesta terça. O MST aproveita a data para chamar a atenção do governo para os conflitos no campo e a lentidão da reforma agrária. Invasões de terra, interdição de rodovias, atos públicos e marchas em vários Estados estão entre as ações do MST. No Paraná, integrantes do movimento invadiram as praças de pedágio e deixaram os carros passarem sem pagar. No Rio de Janeiro, a rodovia Presidente Dutra foi interditada pela manhã, o que causou congestionamentos. Mais três rodovias no Rio Grande do Sul foram bloqueadas por um curto período, dez minutos. Em Brasília, integrantes de três movimentos de sem-terra continuavam a protestar na garagem da sede do Incra. Na última segunda-feira, cerca de 800 manifestantes ocuparam 9 dos 23 andares do edifício. Após um acordo, eles apenas liberaram os andares para a entrada dos funcionários.O chamado massacre de Eldorado dos Carajás ocorreu em 17 de abril de 1996, durante conflito com a Polícia Militar, que resultou na morte de 19 sem-terra. O confronto ocorreu quando cerca 1.500 manifestantes que estavam acampados na região decidiram fazer uma marcha em protesto contra a demora da desapropriação de terras na região. Eles bloquearam a Rodovia PA-150 e a polícia foi encarregada de tirá-los do local. Praças de pedágio e rodoviasCerca de 3 mil integrantes do MST, segundo o movimento, invadiram, nesta manhã, 25 das 27 praças de pedágio espalhadas pelas rodovias do Paraná e liberaram a passagem de todos os veículos sem pagamento das taxas. Os manifestantes distribuíram jornais sobre a luta pela reforma agrária e vendiam produtos próprios. Na Via Dutra, sem-terra e sindicalistas pararam a estrada por uma hora na região do Vale do Paraíba. Alguns manifestantes chegaram a se jogar no chão. O trânsito ficou parado entre os quilômetros 153 e 155 e pelo menos 5 quilômetros de congestionamento se formou. A paralisação chegou ao fim depois que um pedido da Polícia Rodoviária Federal foi atendido pacificamente. No Rio Grande do Sul, o MST bloqueou nove estradas. A interrupção do tráfego não foi contínua. Os militantes alternaram períodos de ocupação com períodos de liberação das rodovias. Segundo a coordenação estadual do MST, cerca de 2,4 mil pessoas participaram das manifestações.Em São Gabriel, no sudoeste do Estado, um grupo que havia acampando no Parque Municipal Eglon Meyer Corrêa na quarta-feira passada saiu da área pública e interrompeu o tráfego na BR-290 por 19 minutos, dedicando um minuto para cada morto de Eldorado de Carajás. Depois, os sem-terra seguiram em marcha até um acampamento que mantêm perto da Fazenda Southall, à margem da RS-630.Cerca de 180 integrantes do MST bloquearam a Rodovia Raposo Tavares (SP-270), na altura do km 172, em Itapetininga, para protestar contra o massacre de Eldorado dos Carajás, portando faixas e bandeiras, sentaram-se no asfalto. O protesto durou 30 minutos, tempo suficiente para se formar uma fila de dois quilômetros de veículos. PernambucoO MST de Pernambuco marcou com quatro ocupações de terra o aniversário da chacina de Carajás. Cerca de 800 famílias participaram das ações. No Engenho Cachoeira Dantas, pertencente à Usina Vitória, no município de Água Preta, eles quebraram a cerca e atearam fogo em parte de plantação de cana-de-açúcar. De acordo com o movimento, em protesto contra a monocultura, que devasta o meio-ambiente. Não houve conflito, mas quando o segurança da propriedade tentou falar com os sem-terra, eles tomaram e quebraram o seu rádio-comunicação.Eles prometem fazer uma passeata pelas ruas do Recife, nesta sexta-feira, com a participação de aproximadamente dois mil sem-terra. Já somam 14 as invasões realizadas neste mês pelo movimento em Pernambuco. MaranhãoUma onda de ocupações no Maranhão resultou na morte de duas pessoas esta semana. Duas fazendas, duas rodovias e o canteiro de obras de uma hidroelétrica foram ocupadas por trabalhadores sem-terra e índios esta semana. As rodovias já foram liberadas mas os outros acampamentos ainda persistem. O MST organizou quatro das ocupações e estima-se que cerca de 800 famílias estão acampados em duas fazendas e no canteiro de obras da usina hidroelétrica de Estreito. A mobilização faz parte do movimento que os Sem-terra estão fazendo em todo o Brasil, conhecido como "Abril Vermelho". Nesta terça-feira, os sem-terra do Maranhão organizaram uma manifestação no centro de São Luís, para lembrar o massacre de El Dourado de Carajás. Minas GeraisO MST deu início nesta terça-feira suas ações em Minas Gerais como parte do "abril vermelho". Cerca de 200 integrantes do movimento invadiram durante a madrugada uma fazenda localizada na área de uma antiga usina de açúcar e álcool, em Campos Gerais, no sul do Estado. Em Capitão Enéas, no norte de Minas, uma outra propriedade rural foi invadida por cerca de 80 famílias do MST.Pontal do ParanapanemaO MST ampliou a ocupação da fazenda São Luiz, em Presidente Bernardes, no Pontal do Paranapanema, invadida na segunda-feira por 100 famílias. Os militantes que tinham se alojado na sede do Incra em Teodoro Sampaio e acampado na frente dos escritórios regionais do Instituto de Terras do Estado de São Paulo, deixaram os órgãos públicos e rumaram para a fazenda. No final da tarde, já eram mais de 300 os invasores. SergipeCerca de 1.500 integrantes do MST participaram de marcha, nesta tarde, em Aracaju, para marcar os 11 anos do massacre de Eldorado dos Carajás. O sem-terra caminharam mais de seis quilômetros, saindo do município de Barra dos Coqueiros, cruzaram os dois quilômetros de extensão da ponte Construtor João Alves Filho, e acamparam na sede regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). BahiaEm Salvador, cerca de 5 mil manifestantes estão acampados desde segunda-feira, 16, e promoveram, na manhã desta terça, uma caminhada entre a Rótula do Abacaxi, um dos mais importantes entroncamentos viários da capital baiana, onde passaram a noite, e o Centro Administrativo da Bahia (CAB), na margem da Avenida Paralela, onde ficam a Governadoria e a Assembléia Legislativa da Bahia. O deslocamento dos trabalhadores por algumas das principais vias de Salvador causou diversos congestionamentos pela cidade.Na Assembléia Legislativa, os manifestantes participaram de um ato em memória do massacre no Pará. Este texto foi atualizado às 21 horas.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.