MST inicia hoje manifestações por todo o País

Cerca de 1,5 mil militantes caminham hoje de Campinas a SP

Roldão Arruda, O Estadao de S.Paulo

06 de agosto de 2009 | 00h00

O Movimento dos Sem-Terra (MST) inicia hoje uma série de manifestações pelo País, com o intuito de chamar a atenção da sociedade para a questão da reforma agrária. Em São Paulo, os militantes farão uma caminhada de quase 100 quilômetros, entre Campinas e a capital do Estado. Com suas bandeiras e faixas, ele partem hoje às 6 horas do Ginásio Rogê Ferreira, no bairro São Bernardo, em Campinas. A chegada a São Paulo está prevista para segunda-feira.A caminhada deverá contar com 1.500 militantes, vindos de diversas partes do Estado, de acordo com a previsão dos organizadores. Em Brasília, o MST e a Via Campesina planejam reunir 3 mil trabalhadores ligados à organização no chamado Acampamento Nacional pela Reforma Agrária.Eles ficarão reunidos na área do Centro Cultural de Brasília entre os dias 10 e 21. Nesse período pretendem realizar manifestações nas ruas da capital federal e debater temas ligados à questão agrária.Também estão previstas para os próximos dias manifestações em Pernambuco, Maranhão e outros Estados. De acordo com os organizadores das ações do MST, o objetivo é tentar atrair a simpatia de outros setores da sociedade para a questão da lentidão dos processos da reforma agrária nos sete anos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva."A nossa pauta está encalhada", diz Marcia Merisse, da coordenação do MST em São Paulo, referindo-se às famílias acampadas em beiras de estrada e áreas invadidas - à espera de assentamento.CRISEEmbora a reforma agrária seja o tema central das manifestações, o MST também pretende utilizá-las para criticar a política econômica do governo. Seus líderes argumentam que o governo deveria intensificar os assentamentos no período de crise econômica, possibilitando assim a criação de mais oportunidades de emprego.Segundo José Batista de Oliveira, da coordenação nacional do movimento, o governo desperdiça uma oportunidade histórica. "No contexto da crise econômica, é ainda mais urgente a reforma agrária, para a garantia da soberania alimentar e geração empregos", diz ele.O MST também deverá protestar, nos próximos dias, contra a chamada criminalização dos movimentos sociais. Afirma-se que estaria ocorrendo no País uma investida do Judiciário contra os líderes de grupos indígenas, de sem-terra e quilombolas, que lutam pelo direito à terra. Entidades ligadas à Igreja Católica que atuam nessas áreas também têm chamado a atenção para a "criminalização".

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