MST, Incra e INSS discutem ocupação de fazenda em Valença (RJ)

Representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) reúnem-se nesta quarta-feira, no Rio, com os superintendentes regionais do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Claudi Furtado, e do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), André Ilha, para discutir a ocupação da Fazenda Vargas e Capoeirão, em Valença, no Sul Fluminense.Cerca de 120 famílias ocupam a fazenda desde a madrugada do dia 13 de maio. O MST acusa o INSS de favorecer um fazendeiro da região que alugou por R$ 1 mil os 320 hectares da propriedade, seqüestrados pela Justiça em favor do órgão. A fazenda pertencia ao ex-procurador do INSS Raimundo Linhares de Araújo, integrante foragido da quadrilha de fraudadores liderada pela advogada Jorgina de Freitas, que está presa.O INSS foi designado pela Justiça como o fiel depositário da fazenda até o fim do processo. André Ilha disse que o INSS decidiu alugar o imóvel para revitalizá-lo, mas negou que o locatário Afrânio Carvalho, que é irmão de um ex-superintendente do INSS, tenha sido beneficiado pela negociação conduzida pelo procurador do INSS Fernando Melgaço. O MST quer que famílias escolhidas pelo Incra produzam na fazenda até o fim do processo em vez de Carvalho, que já é dono de fazendas em Valença.Claudi Furtado disse que o Incra tem interesse em assumir a administração da fazenda para assentar famílias, ainda que provisoriamente. No entanto, para o superintendente do INSS, a idéia está fora de cogitação, já que o objetivo do órgão é reaver o dinheiro desviado. "Esse imóvel vai a leilão assim que terminar o processo judicial, que não falta muito. Se o Incra quiser pedir a desapropriação e pagar pela terra, é possível fazer algum acordo", adiantou Ilha.

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