MST ignora liminar e inicia plantio em Goiás

As famílias que ocupam há quatro dias a Fazenda Florzeira, em Campestre, em Goiás, decidiram ignorar a liminar judicial de reintegração de posse, concedida quarta-feira ao proprietário, e iniciaram ontem o plantio de hortaliças. Reunidos em assembléia, os representantes das 2.100 famílias também decidiram que, no caso de expulsão pela Polícia Militar, que já está cercando a fazenda, eles voltarão a ocupar a mesma propriedade ou alguma outra vizinha. "As famílias estão dispostas a fazer quantas ocupações forem necessárias, até que se encontre uma solução definitiva para o problema", disse ao Estado o coordenador do MST na região, Valdir Misnerovicz. "A expulsão não resolve, porque essas pessoas não têm para onde ir." Compra Representantes do MST conversaram ontem com o superintendente em exercício do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Antônio de Almeida. Segundo ele, o Incra vai tentar negociar com o proprietário a compra da fazenda de pecuária, para transformá-la em assentamento. Se esse caminho for confirmado, não será necessário esperar dois anos, como prevê a medida provisória que pune invasões de terras. Ela trata de casos de propriedades consideradas improdutivas, que precisam ser legalmente desapropriadas, antes de serem destinadas à reforma agrária. Os acampados devem receber hoje a visita de políticos e representantes de organizações sociais e religiosas, que vão manifestar sua solidariedade. Um dos convidados é o arcebispo de Goiânia, d. Washington Cruz.

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