MST faz vigília diante da prisão onde Rainha está preso

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) decidiu organizar uma vigília diante da Penitenciária Maurício Henrique Pereira, onde se encontra preso um de seus principais líderes na região do Pontal do Paranapanema, José Rainha. Hoje à tarde foi montado um pequeno acampamento diante da prisão, às margens da Rodovia Raposo Tavares, em Presidente Venceslau, a quase 600 quilômetros de São Paulo."Viemos manifestar apoio e solidariedade ao companheiro, que tem sido tratado arbitrariamente pela Justiça como um criminoso de alta periculosidade, mesmo antes de ser julgado", explicou Wesley Mauch, da coordenação regional do MST. Ainda de acordo com suas explicações, não existe um prazo determinado de duração para a vigília. Rainha foi preso no dia 11, juntamente com Felinto Procópio dos Santos, o Mineirinho, por determinação do juiz Atis de Oliveira Araújo, de Teodoro Sampaio. Enviados imediatamente para a penitenciária de Venceslau, os dois estão sendo acusados pelos crimes de formação de quadrilha, furto qualificado e esbulho possessório - que teriam ocorrido há três anos, durante a invasão da Fazenda Santa Maria, em Mirante do Paranapanema.Hoje, os dois líderes dos sem-terra foram ouvidos pelo juiz de Presidente Venceslau, Fábio Mendes Ferreira, atendendo a uma carta precátória encaminhada ao fórum local pelo juiz de Teodoro Sampaio. Os depoimentos foram colhidos no interior da penitenciária, e, segundo o advogado Hamilton Belloto Henriques, da defesa, os dois acusados negaram ter cometido os crimes de que são acusados.Henriques também informou que hoje seria encaminhado ao Superior Tribunal de Justiça um novo pedido de habeas-corpus para os dois líderes dos sem-terra. O pedido anterior, encaminhado Tribunal de Justiça de São Paulo, foi negado.Segundo os advogados de Rainha e Mineirinho, não há provas de que os acusados tenham cometido os crimes de que são acusados. Também argumentam que a decisão de mandá-los para a penitenciária foi exagerada. "Como presos provisórios, que sequer foram julgados, não deveriam estar neste lugar", disse o advogado Hamilton Belloto Henriques. "Eu temo que aconteça qualquer coisa a eles."

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