MST faz primeira invasão no governo Lula

Um grupo de sem-terra, remanescente das158 famílias retiradas no ano passado da Fazenda Gladys William mediante ação dedespejo, voltou a ocupar parte da propriedade localizada na região de Nova Brasilândia,noroeste de Rondônia, na última terça-feira. O clima ficou tenso, após a chegada deseguranças ao local e troca de acusações com os sem-terra.É a primeira vez que manifestantes do Movimento dos Trabalhadores RuraisSem Terra (MST) invadem fazendas consideradas produtivas no governo Luís InácioLula da Silva. Os sem-terra estavam acampados no assentamento Chico Mendes I, em PresidenteMédici, aguardando uma promessa de assentamento pelo Incra.Os manifestantes chegaram ao local em dois ônibus. A Polícia Militar confirma que hásem-terra armados com revólver e espingarda entre os manifestantes. ?Aproximadamente uns dez?, disse o comando da PM. O compromisso do Incrade assentar os manifestantes foi assumido em setembro do ano passado, durante novo despejo dos sem-terra da Fazenda Jamaica, em Presidente Médici, dias depois da retirada das famílias da Fazenda Gladys.O setor Colorkiti invadido pelo MST tem 1.280hectares. No ano passado, dois funcionários da fazenda foram mortos em uma emboscada atribuídaa integrantes do movimento dos sem-terra. A coordenação estadual do MST desmente a acusação. A polícia não conseguiu identificar até agora os assassinos. O Incra autorizou a realização de vistoria na fazenda para avaliar as benfeitorias realizadas na propriedade, mas o processo tramita há 4 anos.A superintendência regional esclareceu que o processo de desapropriação para fins de reforma agrária foi enviado a Brasília. Os sem-Terra chegaram por volta de 8 horas e foram enfrentados por um grupo de oito seguranças e o gerente da fazenda conhecido por ?Guerino?.Os policiais não confirmam os dois tiros de revólver que teriam sido disparados por umsuposto policial militar de nome Sinval e seu irmão Recão. Um dos manifestantes dissea um jornal local que a situação só não ficou pior porque as famílias resistiram e osseguranças da fazenda recuaram.No acampamento há 86 crianças todas menores de 14 anos, a maioria apresentando sintomas de virose e outras doenças, e não há remédios para tratamento. Os manifestantes prometem deixar a fazenda somente depois que o Incra definir onde asfamílias serão assentadas. O ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rosseto,anunciou nesta quarta-feira em Brasília uma série de visitas à região Amazônica, iniciando suaagenda em Rondônia.

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