MST faz marcha de Buritis a Brasília

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) inicia amanhã uma marcha de 230 quilômetros de Buritis, em Minas Gerais, até Brasília, em protesto contra a manutenção da prisão dos 16 líderes que organizaram a invasão da fazenda Córrego da Ponte, da família do presidente Fernando Henrique Cardoso. A previsão dos coordenadores do movimento é chegar entre quinta e sexta-feira da próxima semana à capital, onde devem ocorrer manifestações em frente ao Ministério da Justiça. A caminhada começará com cerca de 200 sem-terra que estão no assentamento da fazenda Barriguda, em Buritis. Eles partirão às 8h30, depois de um ato ecumêmico pela Sexta-feira Santa. De acordo com os planos do MST, esse grupo - incluindo os familiares dos líderes presos - deve chegar no domingo ou segunda-feira à Cabeceira de Goiás, na fronteira, e encontrar-se com cinco ônibus carregados de trabalhadores provenientes de outras localidades de Minas Gerais, Goiás e Pontal do Parapanema (SP). "A idéia é que nossos líderes sejam libertados antes da nossa chegada, mas se isso não acontecer, vamos acampar em Brasília", anunciou um dos coordenadores nacionais do MST, João Paulo Rodrigues. "Quanto mais o governo bate em nós, mais ânimo o pessoal ganha." Líderes nacionais do movimento também poderão viajar a Brasília para reforçar o movimento pela libertação dos presos. Segundo João Paulo, "o governo quer acabar com o MST e tirar proveito eleitoral do fato acontecido". Alguns dirigentes petistas ligados ao movimento admitem, entretanto, que a ação do MST em Buritis pode ter sido um "erro tático". Conforme a versão do movimento, a invasão da Fazenda Córrego da Ponte ocorreu sem conhecimento da direção nacional. As declarações dadas dias antes por José Rainha, prometendo ações espetaculares, seriam referentes apenas à região do Pontal, em São Paulo. Segundo assessores do MST, Rainha também teria feito internamente uma auto-crítica do elogio que fez às táticas do Primeiro Comando da Capital (PCC).

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