MST faz mais quatro ocupações em Pernambuco

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) realizou mais quatro ocupações em Pernambuco nesta segunda-feira, totalizando 19 invasões em menos de 40 horas. As ações integram o que as lideranças intitulam de "2006 Vermelho" para pressionar o governo a agilizar as desapropriações de terra e o cumprimento da meta de assentamentos prometida pelo governo federal. Outras ocupações e uma possível greve de fome a ser realizada por lideranças estaduais estão previstas até abril.Não foi registrado conflito nas ocupações - 10 delas no sertão, cinco na zona da mata e quatro no agreste. De acordo com um dos dirigentes regionais do movimento, Joba Alves, o Engenho São João, pertencente à Usina Tiúma, do grupo Votorantim, que foi ocupada na madrugada de domingo por cerca de 300 famílias, está recebendo mais trabalhadores sem-terra que souberam da reocupação. A área é boa para plantio. Os sem-terra já haviam ocupado o engenho no início de 2004, mas foram despejados em julho do ano passado.Na justiçaNo município de Altinho, no agreste, o delegado Carlos Coelho instaurou inquérito para apurar denúncia de que agricultores ligados ao MST teriam incendiado e danificado uma casa da Fazenda Santo Antonio, no município. A casa estava desocupada. A queixa foi prestada pela moradora da casa, Maria Edileusa Silva, que contou ao delegado ter se mudado para a residência de um filho porque não participava do movimento.O Incra se imitiu na posse da fazenda, de 211 hectares, na última quinta-feira. No dia seguinte, três oficiais de justiça chegaram ao local, pela manhã, acompanhados de policiais militares, para cumprir uma reintegração de posse determinada pela justiça estadual na região. Diante do documento comprovando a imissão de posse pelo Incra, eles não entraram na fazenda, que servirá a 13 famílias assentadas.A superintendente do Incra, Maria de Oliveira, afirmou que a denúncia será apurada. "Quando desapropriamos uma área, avaliamos os seus bens que passam a ser de responsabilidade dos assentados", disse ela. "Eles têm que zelar pelas benfeitorias e não podem danificá-las". O MST garante que não teve nada a ver com o incêndio. "A fazenda e tudo que tem nela é patrimônio do trabalhador, não teria sentido eles incendiarem a casa", disse Joba Alves.Agentes da perícia técnica vistoriaram a casa e, extra-oficialmente, há indícios de incêndio premeditado. Para a ex-proprietária da fazenda, Maria José Tenório, o vandalismo deve ter sido coisa do MST, porque, segundo ela, anteriormente eles já haviam matado gado e quebrado cercas da propriedade.

Agencia Estado,

06 de março de 2006 | 17h34

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