MST faz churrasco para 5 mil na festa de 20 anos

O Movimento dos Sem-Terra (MST) espera reunir 5 mil pessoas na festa que programou para comemorar, hoje, seus 20 anos de existência, em Itapeva, no sudoeste de São Paulo, a 270 quilômetros da capital. Nem a investigação aberta pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Terra nas contas do movimento, com a quebra do sigilo fiscal da Associação Nacional de Cooperação Agrícola (Anca) e da Confederação das Cooperativas da Reforma Agrária (Concrab), braços financeiros do MST, vai atrapalhar a festa, segundo o coordenador estadual Delweck Mateus. "O movimento tem uma história reconhecida internacionalmente", afirmou. Serão abatidos 12 bois para o almoço, um churrasco. Os animais foram doados pelas famílias assentadas na região, segundo Mateus. O coordenador confirmou a presença do ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto. "Convidamos outros integrantes do governo que ainda não confirmaram." A senadora Heloísa Helena (P-Sol-AL) e os deputados Adão Pretto (PT-RS) e Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) estão entre os "parlamentares amigos" convidados e esperados no evento. Bispos, padres ligados à Comissão Pastoral da Terra (CPT) e prefeitos da região também receberam o convite do MST. Bosque da SolidariedadeOs 450 integrantes da organização internacional Via Campesina, entre eles o francês José Bové, estarão presentes. Haverá palanque e discursos. O líder nacional do MST, João Pedro Stédile, falará em nome do movimento. Os membros da Via Campesina vão inaugurar o Bosque Internacional da Solidariedade. A festa será no primeiro assentamento de sem-terra de São Paulo, instalado na antiga Fazenda Pirituba, de 12 mil hectares, que o governo estadual utilizou em um fracassado projeto de colonização. Na época, o movimento ainda não estava organizado. As terras foram invadidas no dia 13 de maio de 1984, numa ação coordenada por sindicatos rurais da região, com o apoio do PT. Mateus participou da ação. "Foi a primeira ocupação no Estado", contou. O governador da época, Franco Montoro, providenciou em pouco mais de um mês o assentamento das primeiras famílias. No mesmo período ocorreram invasões em Euclides da Cunha Paulista, no Pontal do Paranapanema, e em Sumaré, região de Campinas. "Foi daí que surgiu o MST." Pirituba tem, agora, seis agrovilas com cerca de 800 famílias assentadas.

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