MST faz campanha pela reestatização da Vale

Organizadores querem mobilizar 100 mil pessoas para fazer plebiscito

Roldão Arruda, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2031 | 00h00

De amanhã até o dia 7, cerca de 100 mil militantes de movimentos sociais, organizações sindicais e pastorais sociais da Igreja Católica devem ser mobilizados em todo o País para promover um plebiscito popular sobre a privatização da Companhia Vale do Rio Doce - ocorrida há dez anos, durante o primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso. O lançamento oficial do plebiscito ocorreu ontem, em São Paulo, com uma entrevista coletiva que reuniu os representantes do movimento.No ocasião, João Paulo Rodrigues, líder do Movimento dos Sem-Terra (MST), classificou como fraudulento o leilão organizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a venda da Vale - hoje a segunda maior empresa de mineração e metais do mundo, avaliada em torno de US$ 100 bilhões.Rodrigues também prometeu guerra sem trégua pela reestatização da empresa, nos próximos meses: "A Vale que se prepare. Vamos fazer tudo que for necessário para que seu controle volte às mãos da sociedade brasileira."O jurista e professor Fábio Konder Comparato, da Universidade de São Paulo (USP), também convidado para a coletiva, afirmou que a Vale foi vendida por um preço trinta vezes inferior ao seu valor patrimonial: "A lei diz claramente que um negócio desse tipo é criminoso."Segundo d. Demétrio Valentini, ligado às pastorais sociais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o plebiscito também tem como objetivo pressionar o Judiciário: "Urge que se manifeste a respeito das ações populares que questionam a privatização."Este é o terceiro plebiscito realizado pelos movimentos sociais e pastorais. O primeiro, no ano 2000, foi sobre o pagamento da dívida externa. Segundo os organizadores, mais de 6 milhões de pessoas votaram - a maioria a favor da interrupção do pagamento da dívida. O segundo foi em 2002 e tratou da Área de Livre Comércio para América Latina (Alca), proposta pelo governo americano. Ainda segundo os organizadores, foram 10 milhões de votantes, quase todos contrários à Alca.No plebiscito de agora, a cédula oferecida ao votantes tem quatro perguntas. A primeira diz: "Em 1997, a Companhia Vale do Rio Doce - patrimônio construído pelo povo brasileiro - foi fraudulentamente privatizada, ação que o governo e o Poder Judiciário podem anular. A Vale deve continuar nas mãos do capital privado?"As outras três questionam a política econômica de Luiz Inácio Lula da Silva. Mas, segundo o movimento, não se trata de crítica ao governo. "Queremos estimular o debate de questões nacionais", disse d. Demétrio.A Vale, segundo sua assessoria, não se manifestará sobre o assunto. O BNDES, que conduziu a privatização, também não fará comentários.

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