MST faz ato em defesa do líder José Rainha

Cerca de 300 integrantes do Movimento dos Sem-Terra (MST) realizaram uma manifestação contra a ordem de prisão do líder José Rainha Júnior, sábado à noite, dia 11, em Teodoro Sampaio, no Pontal do Paranapanema. O ato teve a participação de políticos ligados ao PT e sindicalistas da Central Única dos Trabalhadores (CUT). O grupo decidiu também intensificar a mobilização pela reforma agrária na região. Rainha foi condenado a 2 anos e 8 meses de prisão por porte ilegal de arma e aguardava em liberdade o julgamento de um recurso. No último dia 24, o Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo confirmou a sentença e mandou expedir o mandado de prisão. Desde então José Rainha está foragido. Sua mulher, Diolinda Alves de Souza, também líder dos sem-terra, discursou durante o ato e disse que o movimento não vai "baixar a cabeça". Segundo ela, a ordem de prisão não fará com que o MST recue. ´Amigos de Lula´"O que deve ser dito é que a Justiça está tirando o nosso direito de falar e lutar. Quem manda no Pontal são os trabalhadores, por isso estamos sendo impedidos." Os manifestantes leram uma carta escrita por Rainha e dirigida à mulher do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a primeira-dama Mariza Silva, na qual o líder relembra a amizade com o casal. Também foi lido e aprovado um documento no qual o MST denuncia a "criminalização dos movimentos sociais e de suas lideranças". No manifesto, que será encaminhado a representantes dos governos estadual e federal, o MST defende a "liberdade de organização e de luta" e de expressão de todos os setores sociais, sem "qualquer tipo de discriminação". O senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que era esperado, não compareceu. Ele alegou problemas causados pelo atraso do seu vôo. Suplicy comprometeu-se a fazer o documento chegar ao presidente Lula. A prefeitura de Teodoro Sampaio cedeu o ginásio de esportes para o ato. Nas paredes, foram fixados cartazes com imagens do presidente Lula e do líder revolucionário Che Guevara. Os militantes vestiam camisetas vermelhas com frases pedindo "liberdade" para o líder. Integrantes da coordenação regional do MST não compareceram ao ato. Eles não aceitam a liderança de Rainha, que seria responsável por uma divisão do movimento no Pontal. O grupo de José Rainha coordena 11 acampamentos com cerca de 1,6 mil acampados e manteve uma trégua nas invasões até o segundo turno das eleições. A ala ligada à coordenação regional controla 3 acampamentos e cerca de 1 mil militantes. Desde a prisão do líder, o grupo contrário invadiu cinco fazendas na região, três delas na semana anterior à votação do segundo turno. O pessoal alinhado a José Rainha invadiu apenas uma fazenda, no último dia 7.

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