Hélvio Romero/AE
Hélvio Romero/AE

MST fará mais invasões com Dilma no poder, diz Serra

Em discurso a empresários, tucano centrou ataques às políticas econômica e externa do governo Lula

Carolina Freitas e André Mascarenhas / SÃO PAULO,

26 Julho 2010 | 14h59

O candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, afirmou nesta segunda-feira, 26, que, caso sua adversária Dilma Rousseff (PT) seja eleita, a atuação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) vai se intensificar. Em palestra a cerca de 400 empresários do Grupo de Líderes Empresariais (Lide), em São Paulo, Serra lembrou que Dilma conta com o apoio do líder do MST, João Pedro Stédile, nessas eleições. "O Stédile declara apoio à Dilma porque, com ela, eles (sem-terra) vão poder fazer mais invasões, mais agitações", afirmou. 

 

 

 

O tucano também elevou as críticas à política externa e declarou que "até as árvores da floresta amazônica" sabem que o venezuelano Hugo Chávez abriga as Farcs. E não popou críticas aos aspectos da política econômica do governo federal considerados caros ao empresariado, como a falta de investimentos em infraestrutura, a alta carga tributária, o câmbio desvalorizado e os gastos elevados com o consumo do governo. 

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Serra classificou o MST como um "partido socialista revolucionário", muito organizado, que está mais à esquerda do que os movimentos bolivarianos da Venezuela. "Não é para a reforma agrária que o MST existe", afirmou. Segundo o tucano, não há problema em defender a "revolução", mas sim em fazer isso com dinheiro público, o que estaria acontecendo, no caso do MST, através de repasses por meio de ONGs, do Incra e do "empreguismo". "Eles estão apoiado na estrutura do governo para acumular forças", criticou Serra.

O candidato do PSDB também voltou a apontar a existência de loteamento político e partidário em agências e empresas federais. "Está tudo loteado. Tudo, tudo. Precisamos de um Brasil governado por partidos, não para partidos", disse. "Nós vivemos hoje uma era de exacerbação do patrimonialismo. É um patrimonialismo sindicalista, um patrimonialismo de oligarquias políticas regionais", classificou.  "É o chamado patrimonialismo bolchevique, que produziu até 'tycoons'", concluiu. A palavra, de origem japonesa, é usada para designar empresários muito poderosos.

 

Política contraditória

 

Serra também usou seu discurso aos empresários para criticar a política econômica do governo Lula. Para ele, as atuações dos diferentes ministérios que compõem a área são contraditórias. “Você não pode ter um governo funcionando bem na economia com o pessoal durão da política monetária, o outro que é o papai noel do gasto, o outro que é o leão de arrecadar, cada um jogando por si. Independentemente da qualidade das pessoas”, exemplificou, sem citar nomes.

 

Para o tucano, a solução se daria através da integração da política econômica, por meio da escolha dos ministros que compõem a área. “É um problema de competência, de ter uma equipe entrosada, de você ter objetivos comuns”, afirmou.

 

Serra também criticou a atuação do governo federal durante a crise econômica mundial. “O enfrentamento do ciclo seguiu um manual oposto ao da economia keynesiana”, afirmou, numa referência às políticas anticíclicas propostas pelo economista britânico John Maynard Keynes – que propunha aumentar os gastos em investimentos a curto prazo e diminuir os juros. “Foi feito o contrário. (O Brasil) foi o único país do mundo que não abaixou os juros por quatro meses”, exemplificou o tucano, que também fez duras críticas a aumento dos gastos com consumo do governo e a baixa taxa de investimentos.

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