MST entra na Justiça contra organização de ruralistas

O Movimento dos Sem-Terra (MST), a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e a Terra de Direitos, nova entidade de defesa dos direitos humanos, entraram nesta terça-feira com denúncia contra produtores rurais da região centro-oeste do Paraná, que afirmaram estar contratando seguranças armados para defender suas terras contra invasões.A denúncia foi protocolada nos Ministérios Públicos Estadual e Federal, em Curitiba, e será entregue nesta quarta-feira ao Ministério da Justiça, à Ouvidoria Agrária Nacional e à Secretaria Nacional de Direitos Humanos.?Constrangimento?Segundo as entidades, algumas pessoas que estão acampadas às margens da rodovia que liga Palmital a Laranjal reclamaram de ter sofrido constrangimentos por parte de "pistoleiros fortemente armados" que estavam em algumas fazendas.No dia 9, seguranças teriam obrigado motoristas de carros da prefeitura a descer do veículo e ameaçado mulheres e crianças. As entidades também afirmam que pistoleiros de uma fazenda ficam dando tiros em volta do acampamento, localizado entre Nova Cantu e Roncador.Fazendeiros esperam resposta do governoNesta terça-feira pela manhã, o presidente da Associação de Produtores Rurais de Laranjal e porta-voz da entidade chamada de Primeiro Comando Rural (PCR), Humberto Sá, disse que os fazendeiros aguardam resposta de uma carta enviada ao governo do Estado.Na carta, eles informam que os acampamentos dos sem-terra têm aumentado na região e apelam "por socorro no sentido de estabelecer ordem e segurança, a que temos direito, como cidadãos pacíficos e trabalhadores, mas agora sobressaltados diante desta ocorrência". De acordo com os ruralistas, "conhecidos desocupados e até marginais são vistos armados entre os acampados que circulam nas imediações e na cidade de Laranjal".Na carta enviada dia 8, eles dizem não ter armas para se defender e não saber como enfrentar a situação, visto ter informações de que os sem-terra "preparam-se para invadir fazendas aqui nesta região".PCRNaquele mesmo dia, os fazendeiros fizeram a primeira reunião do PCR e decidiram pela contratação de seguranças armados. Na sexta-feira, o presidente da Comissão Especial de Mediação das Questões da Terra do governo do Estado, secretário de Trabalho, Emprego e Promoção Social, Padre Roque Zimmermann, disse que o governo não conversaria com os integrantes do PCR por considerar a entidade ilegal.Ruralistas querem criar ongNesta terça-feira, Sá acentuou que "a coisa está tomando vulto". Segundo ele, chegam de um a dois ônibus por dia trazendo mais pessoas para a região. "Haverá radicalização se houver invasões", ameaçou.O presidente da União Democrática Ruralista (UDR) do noroeste do Paraná, Marcos Prochet, disse nesta terça-feira que a entidade pretende criar uma Organização Não-Governamental (ONG) de defesa, proteção e preservação da propriedade rural. "Queremos começar no Paraná e depois estender para o País", afirmou.Segundo ele, o MST é muito maior do que o PT. "Assim que Lula (o presidente Luiz Inácio Lula da Silva) entrou, eles atropelaram o PT." Prochet esteve sábado na região centro-oeste, onde pregou a necessidade de união entre os produtores rurais. Para ele, a violência somente acontece quando há invasão. "Ficamos sem invasão por três anos e não houve violência e a produção cresceu", afirmou.Prochet disse que a possibilidade de revogação da Medida Provisória 2.183, que impede por dois anos a vistoria e desapropriação de áreas invadidas, pode ser mais um estopim. Segundo ele, dois anos ainda é pouco. "Se revogar, é a guerra no campo", disse.

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