MST em Pernambuco dá início a "2006 Vermelho"

Com a ocupação de 15 áreas neste fim de semana, o MST de Pernambuco deu início, sob o comando do líder regional Jaime Amorim, ao que eles intitulam de "2006 vermelho": um ano em que as invasões começaram mais cedo - em geral elas ocorrem em abril - e em que as lideranças regionais se preparam para fazer greve de fome a fim de conquistar a desapropriação de áreas de conflito e o cumprimento da meta do Incra para este ano - cerca de 8 mil famílias, sendo 5,2 mil na área coordenada pela superintendência do Incra no Recife e o restante na coordenação de Petrolina, no sertão."Não haverá trégua", afirmou Amorim, na madrugada deste domingo, em São Lourenço da Mata, região metropolitana, onde mais de 300 famílias reocuparam o engenho São João, pertencente ao Grupo Votorantim, de Antonio Ermírio de Moraes. "Não vamos ficar reféns das eleições e da Copa do Mundo". "Este é um ano importante para a reforma agrária, e vamos nos mobilizar."A previsão do movimento é de se chegar a mais de 30 ocupações até abril, quando novas ações ocorrem para marcar os 10 anos do massacre de Eldorado de Carajás - "19 trabalhadores sem-terra foram mortos pela polícia do Pará no dia 17 de abril de 1996 e até hoje ninguém foi punido", constata Amorim - e também os 10 anos da greve de fome iniciada por 14 lideranças do MST estadual, no mesmo dia do massacre. Eles passaram 11 dias sem comer, na sede do Incra, no Recife.A estratégia resultou na conquista da Fazenda Normandia, em Caruaru, no agreste, onde se localiza a sede do movimento em Pernambuco, e será reeditada se até 17 de abril não forem desapropriados o Engenho Bonito, no município de Condado, na zona da mata, pertencente ao Grupo João Santos, e o São Gregório, pertencente à Usina Estreliana, do empresário Gustavo Maranhão. As duas áreas já eram requisitadas em 1996.Amorim frisou que a antecipação das ocupações, iniciadas no sábado, referendam a conferência da FAO (organismo das Nações Unidas para a alimentação) que ocorre, nesta semana, no Rio Grande do Sul. "A conferência demonstra que mesmo com a globalização, a reforma agrária é uma questão emergencial na América do Sul, para resolver o problema da fome, do desenvolvimento social e econômico", disse o líder, observando que há 27 anos o tema já era tratado pela FAO. "Até o capitalismo depende da reforma agrária."A programação do MST inclui ainda discussão do modelo agrário nacional com relação à biodiversidade, em Curitiba, em abril, e continuidade do 2006 Vermelho, em maio, com ações conjuntas com a Via Campesina e outros movimentos de luta pela terra.Mesmo sem dar trégua ao governo, Amorim, disse que os trabalhadores vão votar novamente no presidente Lula. Ele voltou a criticar a Justiça por emperrar os processos de desapropriação no Estado e cobrou "uma maratona de vistorias" pelo Incra. "Neste ano, apenas 20 famílias foram assentadas".

Agencia Estado,

05 de março de 2006 | 19h05

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