MST e produtores rurais entram em confronto no Paraná

Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e produtores rurais da região de Cascavel, no oeste do Paraná, entraram em confronto na tarde desta quinta-feira, na BR-277, trocando socos e pancadas com pedaços de pau. Os sem-terra dizem que os produtores estavam armados e deram tiros para cima. Segundo eles, seis integrantes do movimento tiveram ferimentos leves. Já os produtores rebatem. Dizem que um sem-terra apareceu armado e reclamam de pelo menos duas pessoas feridas, também levemente. A rodovia no sentido Cascavel a Foz do Iguaçu ficou interditada até o início desta noite. Os dois lados acentuam que suas manifestações deveriam ser pacíficas. A confusão durou cerca de meia hora. O presidente da Sociedade Rural do Oeste (SRO), que organizou o bloqueio, Alessandro Meneghel, disse que a manifestação era uma forma de chamar a atenção para as invasões de terra e o não cumprimento de ordens de reintegração de posse. "Não vamos mais aceitar nossas propriedades serem roubadas", afirmou. "Se o governo não cumprir a lei nós vamos nos defender. O roubo será respondido." O coordenador do MST, Kenon Oliveira, disse que Meneghel "acha que vivemos em coronelismo".Os sem-terra tinham programado uma marcha até a propriedade da Syngenta Seeds, em Santa Tereza do Oeste, a cerca de 15 quilômetros de Cascavel, como encerramento da Jornada de Educação na Reforma Agrária. A fazenda, onde a empresa realizava experimentos com organismos geneticamente modificados, foi invadida em março e, no início de novembro, declarada pelo governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), como de utilidade pública para fins de desapropriação. O governo quer instalar lá um centro de agroecologia.Em número de 2 a 3 mil pessoas, segundo os organizadores do evento, eles saíram por volta das 15 horas do Centro de Convenções. Quando chegaram em frente à SRO, às margens da BR-277, encontraram o bloqueio em uma das pistas, feito com tratores e caminhões. "Somos produtores rurais, plantamos, colhemos, pagamos nossos impostos e estamos cansados do pessoal invadir e ninguém fazer nada", desabafou o produtor Marcos Moura. Segundo ele, 150 a 200 produtores, alguns a cavalo, participaram do ato. Como os ônibus não podiam seguir viagem, os sem-terra desceram e passaram a caminhar a pé pela outra pista. "Eles passaram por nós xingando, jogando lata, pedaços de pau e depois passaram para cá e começaram a quebrar farol dos carros e os pára-brisas", relatou Moura. Diferente do que contou Kenon Oliveira. "Nós desviamos e fomos agredidos", afirmou. "Isso é típico deles." A reação gerou baderna. Os ferimentos causados pela confusão foram leves e ninguém precisou ser hospitalizado.Depois que a Polícia Rodoviária Federal conseguiu controlar a situação, os sem-terra foram até um posto, a cerca de 5 quilômetros, onde aguardavam a liberação dos ônibus para continuar a viagem até a propriedade da Syngenta, que foi batizada por eles como Acampamento Terra Livre. Os dois lados prometeram apresentar queixa à polícia. Não houve congestionamento na rodovia porque há um desvio passando por dentro de Cascavel.Este texto foi ampliado às 20h12.

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