MST e outros movimentos ocupam sede do Incra em Brasília

Manifestantes reivindicam a destinação para reforma agrária da Fazenda Sálvia, na região de Sobradinho

Agência Brasil

28 Julho 2008 | 16h10

Cerca de 600 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), do Movimento dos Trabalhadores Desempregados (MTD), e do Movimento de Apoio ao Trabalhador Rural (MATR) ocupam, desde as 6 horas, a sede da superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Os funcionários que tentaram entrar foram impedidos. Os manifestantes querem a troca do comando da instituição porque, segundo o representante do MTD, Wilnean Melo, a reforma agrária está parada na capital do país. "Existem famílias acampadas em beira de estrada há mais de cinco anos e ainda não tiveram resposta, o que mostra incompetência da direção regional do Incra", afirmou.  Os manifestantes reivindicam a destinação para reforma agrária da Fazenda Sálvia, na região de Sobradinho; e da Fazenda Picagem, em Brazlândia. Segundo o Incra do Distrito Federal, o processo de destinação da Sálvia para reforma agrária está em andamento na Gerência de Patrimônio da União. A fazenda Picagem, de acordo com o Instituto, não pode ser transformada em assentamento, e o superintendente da instituição no DF, João Batista Ferreira dos Santos, afirma que os movimentos sociais que ocupam a área não aceitaram a regularização da posse da terra, pois o documento não garantiria os benefícios dados aos assentados, como crédito, por exemplo. O superintendente criticou a ocupação e garantiu que o processo de assentamentos na capital do país está sendo feito.  "O processo de obtenção de terra tem sido rápido. Nós temos trabalhado de forma dinâmica, acelerada. Tem processos de desapropriação aqui em que conseguimos a emissão de posse no período de seis meses, desde a vistoria inicial até a emissão de posse dada pelo juiz, isso é um recorde nacional. Quanto à obtenção de terras, os movimentos sociais não podem reclamar de maneira nenhuma", disse. Segundo os representantes dos movimentos sociais, a ocupação do Incra no DF faz parte de uma jornada nacional, que defende a reforma agrária como forma de aumentar a produção de alimentos e o assentamento de todos os acampados no país. Eles também criticam o que chamam de criminalização dos movimentos.

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