MST e Mast invadem mais cinco fazendas em SP

O Movimento dos Sem-Terra (MST) e o Movimento dos Agricultores Sem-Terra (Mast) invadiram cinco fazendas entre a manhã de sábado e madrugada de hoje no Estado de São Paulo. Três áreas foram invadidas no Pontal do Paranapanema, uma na região noroeste do Estado e outra na região de Sorocaba. As ações têm como objetivo pressionar os governos estadual e federal para apressar a reforma agrária em São Paulo. Hoje, cerca de 400 militantes do MST entraram na fazenda São Domingos, em Narandiba, que havia sido desocupada há dez dias. O grupo é o mesmo da invasão anterior e saiu de um acampamento localizado na entrada de Sandovalina. Apenas os líderes foram substituídos para evitar uma possível ordem de prisão. As terras, 2,1 mil hectares com cerca de 3 mil cabeças de gado, pertencem aos irmãos Aziz e Michel Mellen. Eles alegaram que ainda está em vigor a liminar de reintegração de posse dada pela justiça de Pirapozinho contra o MST. Advogados da família vão pedir amanhã o despejo dos invasores. Essa foi a 11.ª invasão protagonizada pelo movimento na região desde o fim de março. A outra ação do MST ocorreu no município de Itu, região de Sorocaba, a pouco mais de 60 quilômetros de São Paulo. O movimento mobilizou 250 famílias, num total de 800 pessoas, para entrar numa fazenda pertencente à família Barros. As terras ficam à margem da rodovia Castelo Branco, altura do quilômetro 63, entre Itu e Mairinque. Até o fim da tarde, os donos da área não tinham registrado queixa na Polícia Civil das duas cidades. Segundo o líder Wellington Santana, a maior parte das famílias estava acampada havia mais de um ano numa área do assentamento Caic, em Porto Feliz, na beira do quilômetro 101 da rodovia Castelo Branco. "Demos um prazo enorme para o governo resolver a situação das famílias, mas nada foi feito." Segundo ele, existem pelo menos seis fazendas consideradas devolutas na região. "Os sem-terra precisam ser assentados", cobrou. O Mast fez três invasões entre a madrugada e a tarde de sábado. A primeira a ser tomada foi a fazenda São Bernardo, no município de José Bonifácio, na região de São José do Rio Preto. Outro grupo entrou na fazenda Campo Belo, em Panorama, no Pontal do Paranapanema. A última invasão foi a da fazenda Fortaleza, pertencente a Riad Sallem, em Piquerobi, também no Pontal. Na semana passada, o Mast tinha ocupado outras três fazendas na região, mas apenas uma, a Santa Rosa, em Presidente Venceslau, permanece invadida. O coordenador Lino de Macedo disse que as ações vão continuar. Amanhã vence o prazo para a desocupação da fazenda Nazaré, em Marabá Paulista, invadida pela segunda vez pelo MST desde o dia 3. Os sem-terra dizem que não vão sair da área. O despejo pode ser feito pela Polícia Militar. A União Democrática Ruralista (UDR) pediu uma audiência com o governador Geraldo Alckmin (PSDB) para tentar pôr fim às invasões na região. A data ainda não foi marcada. O presidente da entidade, Luiz Antonio Nabhan Garcia, pediu proteção policial à sua fazenda em Sandovalina, que estaria sendo ameaçada de invasão e depredação pelo MST.

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