MST e CUT ocupam sede de fazenda invadida em Araçatuba

Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e de sindicatos ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT) ocuparam nesta segunda-feira a sede da fazenda Floresta, pertencente à usina Álcool Azul, em Araçatuba, oeste do Estado. A área, de 928,9 hectares, estava invadida desde o dia 24 de fevereiro, mas o acampamento tinha sido montado longe da sede, num dos canaviais da propriedade. De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura Familiar (Sintraf), José Carlos Bossolan, o grupo decidiu ocupar a sede depois que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) anunciou ter obtido a imissão de posse na área. "A fazenda, agora, é dos sem-terra", disse. Os funcionários da empresa que estão no local terão um prazo para deixar a fazenda, segundo Bossolan. "Eles são trabalhadores como a gente." A decisão proferida pelo Tribunal Regional Federal (TRF) da 3ª Região, confirmou sentença da Justiça Federal de Araçatuba que deu a posse ao Incra. O órgão federal tinha considerado improdutiva a propriedade. A decisão da justiça foi contestada pelos proprietários, mas a decisão desta segunda considerou o recurso improcedente. O Incra informou ter depositado R$ 4,1 milhões em Títulos da Dívida Agrária (TDA) para pagamento da terra nua e R$ 601 mil, em moeda corrente, pelas benfeitorias. A fazenda está toda plantada com cana-de-açúcar, mas os sem-terra não vão permitir a colheita, segundo Bossolan. "A usina plantou no que não era dela, portanto essa cana deve reverter em benefício dos acampados." Os proprietários, procurados, não deram retorno. A fazenda foi invadida no dia 24 de fevereiro, durante uma série de ações conjuntas de sindicatos da CUT com o MST de José Rainha Júnior. A Floresta foi a última das 14 propriedades invadidas na região. O Incra informou que a próxima etapa será a criação do assentamento e a seleção das 58 famílias que terão acesso à terra. Com DirceuO líder José Rainha Júnior disse nesta segunda-feira que pretende assumir uma das coordenações da campanha pela anistia do ex-ministro e deputado cassado José Dirceu (PT-SP). Rainha garantiu que, apenas no oeste de São Paulo, onde milita à frente de 13 acampamentos e dezenas de assentamentos, tem condições de angariar 200 mil assinaturas de 1,5 milhão necessário para que o projeto seja apreciado no Congresso Nacional. "Se ele der o sinal verde, coloco 6 mil pessoas na rua para puxar assinaturas", disse. O líder dos sem-terra viajava para São Paulo, onde participaria, à noite, de uma festa pelo aniversário do ex-ministro, no bairro Pinheiros. "Só ele falar, e já volto com o pessoal todo mobilizado." Rainha considerou a cassação de Dirceu uma "covardia política", pois nada teria ficado provado contra ele. "O Zé Dirceu é um herói que resistiu à ditadura, por isso é perseguido pelas elites. Mas o povo está com ele." Rainha aposta que o ex-ministro terá restabelecidos seus direitos políticos para voltar à Câmara dos Deputados nas eleições de 2010. A campanha pró-anistia foi concebida pelo próprio Dirceu para tentar aprovar no Congresso Nacional um projeto que lhe restitua os direitos políticos. Acusado de envolvimento no "mensalão", ele foi cassado pela Câmara em 2005.

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