MST e CUT invadem a 14ª fazenda no interior de São Paulo

O Movimento dos Sem-Terra (MST) e sindicatos filiados à Central Única dos Trabalhadores (CUT) invadiram neste sábado, 24, a Fazenda Floresta, no município de Araçatuba, noroeste do Estado, a 545 km de São Paulo. É a 14ª invasão protagonizada pela parceria MST/CUT em uma semana e a primeira em terras cultivadas. Os sem-terra planejam invadir mais duas propriedades na região nos próximos dias. A fazenda, com 932 hectares, está toda plantada com cana-de-açúcar. A área pertence à Usina Álcool Azul, instalada no município. Com a ação, o movimento deu seqüência à onda de ocupações iniciada no domingo de carnaval, apesar da promessa do líder José Rainha Júnior, de encerrar a fase de invasões e abrir a da negociação. Cerca de 270 sem-terra recrutados em três acampamentos, dois do MST e um do Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura Familiar (Sintraf), participaram da ação. Os grupos deixaram os acampamentos às 5 horas da manhã e seguiram em um comboio de carros, caminhões e ônibus até a fazenda. O portão foi arrombado. Os barracos começaram a ser montados nos corredores do canavial. "Não cortamos cerca, nem um pé de cana", disse o presidente do Sintraf, José Carlos Bossolan. Os invasores ergueram um mastro com a bandeira do MST. "Estamos preparando as bandeiras dos sindicatos para colocar junto com a do movimento." Segundo Bossolan, a fazenda foi vistoriada pelo Incra e considerada improdutiva, em 2001. "Houve a imissão (decisão judicial que confere direito à posse) na posse e as famílias que estavam acampadas do lado de fora foram levadas para dentro." Ele conta que uma discordância sobre o preço a ser pago pelas benfeitorias fez o processo reverter. "Quem já estava dentro teve de sair." De acordo com o sindicalista, outras duas áreas, as fazendas Araçá, com 1.702 hectares, e Aracanguá, com 4.076, estão na mesma situação. "Foram consideradas improdutivas pelo Incra, mas o processo parou. Agora, estão plantadas com cana-de-açúcar, numa forma de maquiar a improdutividade." Há, ainda, outras seis fazendas em processo de negociação. Segundo ele, com as ocupações, a parceria MST/CUT está "exigindo" que o órgão do governo federal se manifeste sobre as terras. "Sem essa pressão, a reforma agrária não anda", disse o líder. A Polícia Militar informou que a situação é "tranqüila" na área invadida. Uma viatura foi enviada para o local apenas para fazer a verificação da ocorrência. A dona da fazenda, empresária Edméia Carvalho Afonso, procurada para comentar a invasão, não deu retorno. Funcionários da usina informaram que a reintegração de posse será pedida amanhã à justiça. Acordo O líder José Rainha disse que seu acordo com o governo estadual está sendo cumprido. "Prometi desocupar as áreas que são de competência do Estado. Aquelas, na região de Araçatuba, são de alçada do Incra, por isso a mobilização vai continuar. O foco, lá, é o governo federal." Segundo Rainha, as 13 fazendas invadidas no Pontal do Paranapanema e na Alta Paulista, entre domingo e segunda-feira do carnaval, estarão desocupadas até a manhã de deste domingo. "Na maioria, nosso pessoal já saiu sem esperar a reintegração de posse." O coordenador do MST, Wesley Mauch, disse que havia atraso em algumas desocupações por falta de estrutura. "Temos de providenciar o transporte." Mauch disse que o movimento vai esperar um "sinal" do governo para a abertura das negociações. "Se nossa expectativa não for atendida, voltamos a fazer ocupação e outras formas de mobilização." Texto alterado às 13h17 para acréscimo de informações

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