MST diz que nova posição do PT é "incoerente"

Para a liderança do Movimento dos Sem-Terra (MST), o governo atropela os princípios do PT ao defender a manutenção da Medida Provisória 2027/38, destinada a conter as invasões de propriedades rurais.João Paulo Rodrigues, da coordenação nacional do movimento, lembrou nesta sexta-feira que a medida, cuja permanência foi defendida dois dias atrás pelo ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, é a mesma que o PT atacou quando foi editada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso.Em setembro de 2000, ano da edição da medida, o PT, então presidido por Dirceu, chegou a apresentar ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma ação alegando que era inconstitucional. Nesta sexta, ao ser convidado a comentar a declaração de Dirceu, Rodrigues disse que seria melhor encaminhar o pedido ao PT: ?Eles é que devem explicar por que mudaram de posição?.Ainda segundo Rodrigues, nas recentes negociações com o governo sobre a reforma agrária, o MST nem chegou a pedir o fim da MP. ?Não achamos que era preciso fazer o pedido, considerando que essa já era uma bandeira de luta do PT. Foi o advogado do partido, o Luiz Eduardo Greenhalg, que em encaminhou a ação de inconstitucionalidade."TáticaO MST não pretende abandonar a sua tática de continuar ocupando terras. Esta é a melhor forma já encontrada pelo movimento, segundo seus líderes, para chamar a atenção das autoridades para propriedades improdutivas e que podem ser desapropriadas.João Pedro Stédile, outro coordenador nacional, costuma dizer que quase todos os assentamentos da reforma agrária foram feitos a partir de ocupações.?Pedir para cessar as ocupações é o mesmo que pedir para um católico que deixe de ir à missa?, comparou Rodrigues. A MP torna indisponíveis para efeitos da reforma qualquer propriedade ocupada. Embora não tenha impedido completamente as invasões, provocou uma drástica redução em seu número.Em alguns lugares os sem-terra passaram a invadir terras produtivas, ao lado das que consideravam improdutivas e que desejavam ver desapropriadas, com o intuito de chamar a atenção para o problema.DiálogoApesar dos recentes confrontos e debates públicos, o MST e o governo continuam negociando, segundo informações de Frei Betto, assessor especial da Presidência da República.Nesta sexta, após encontrar-se em São Paulo com o governador Geraldo Alckmin, ele disse que não há crise entre o governo e os sem-terra. ?O governo Lula e os movimentos que lutam pela terra querem a mesma coisa, a reforma agrária, e tenho certeza que ela virá?, afirmou.Para Frei Betto, eventuais abusos cometidos pelos sem-terra não atrapalham o diálogo. ?Os canais continuam abertos para que esse País tenha finalmente a sua reforma agrária definitiva.?

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