Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

MST diz que facões servem para cozinhar e armar barraca

Coordenador do movimento contesta versão da polícia de que utensílios apreendidos não são 'condizentes com manifestações pacíficas'

Valmar Hupsel Filho, enviado especial, O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2017 | 18h19

CURITIBA - Um dos coordenadores do MST do Paraná, Roberto Baggio declarou que facas, facões e enxadas apreendidas pela polícia com manifestantes que se concentram em Curitiba nesta terça-feira, 9, em apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva são ferramentas usadas pelos militantes para a cozinha e armação de barracas. 

Segundo o secretário estadual de Segurança Pública do Paraná, Wagner Mesquita de Oliveira, foi apreendido “material não condizente com manifestações pacíficas, como facas, facões e foices”. 

"Isso é uma manipulação da polícia. São ferramentas para manipulação da comida e armação dos abrigos", disse.

Cerca de 4 mil militantes, de acordo com o MST, estão concentrados no pátio dos rodoferroviarios, no centro de Curitiba para uma vigília em apoio ao ex-presidente, que depõe nesta quarta-feira, 9, ao juiz Sérgio Moro. No local foram montadas barracas com estrutura de madeira e lonas, além de cozinhas comunitárias. 

A Frente Brasil Popular também reagiu à apreensão dos instrumentos. "A Frente Brasil Popular informa à imprensa que apenas um utensílio de cozinha e outro de acampamento foram apreendidos pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) no interior dos ônibus das caravanas que se dirigiam à Curitiba. É muito diferente do que propagandeou a Secretaria Estadual de Segurança do Paraná. Isso porque apenas uma enxada e uma faca de cozinha fazem parte dos itens encontrados na revista realizada a cerca de 20 ônibus, na entrada da capital. São itens necessários às cozinhas instaladas para alimentação."

Pacífico. A frente destaca no texto o caráter "pacífico" da manifestação. "Reafirmamos novamente o caráter pacífico e organizado da vinda de movimentos sociais a Curitiba – tanto que as caravanas se dispuseram integralmente à revista, que atrasou em cerca de duas horas as atividades na capital.  As atividades culturais e políticas do primeiro dia do Acampamento pela Democracia comprovam o caráter pacífico e organizado do evento", conclui. / COLABOROU ANDREZA MATAIS

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