MST desocupa fazendas invadidas durante ´Abril Vermelho´

Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) começaram a desocupar neste sábado, 14, as quatro fazendas invadidas no estado de São Paulo na primeira semana de protestos do "Abril Vermelho". As manifestações tiveram início domingo, 8, com a invasão de uma área da Suzano Papel e Celulose, em Itapetininga. Na segunda-feira, a ocupação foi na fazenda São Lucas, em Mirandópolis; quarta-feira, na fazenda Pendengo, em Castilho; e na quinta, na fazenda Timborezinho, em Andradina.Na madrugada deste sábado, as 150 famílias que ocupavam a São Lucas decidiram sair da propriedade, depois que a Justiça Federal concedeu a reintegração ao fazendeiro Edmundo Aguiar Ribeiro. Os sem-terra decidiram se antecipar e saíram antes do despejo que estava programado para segunda-feira, 16.A mesma tática seria usada pelos 180 sem-terra que ocupam a área da Suzano, em Itapetininga. Na noite de sexta-feira, os sem-terra se reuniram com representantes do Incra e da Justiça. No encontro, o MST decidiu deixar a área antes do despejo, determinado pela Justiça em reintegração concedida para a empresa na quarta-feira, dia 11. A saída deverá ser realizada entre sábado e terça-feira, no máximo.Na Timborezinho, a desocupação foi decidida em assembléia na manhã deste sábado. Logo após a assembléia, encerrada às 12 horas, os sem-terra iniciaram a retirada dos barracos montados perto da sede da fazenda. Na Pendengo, a saída das 120 famílias do MST também estava marcada para a tarde deste sábado."Essas invasões serviram para as famílias chamarem atenção da opinião pública e para mandar o recado à Justiça Federal de que a paciência delas está chegando ao limite", comentou Lourival Plácido de Paula, coordenador do MST.Paula disse que, apesar da retirada, "o abril vermelho vai continuar na próxima semana". "Não estamos encerrando o movimento, que continuar com novas lutas por outras áreas", afirmou ele. Segundo o líder do MST, "a desocupação foi necessária para evitar os desgastes que os sem-terra sofreriam com futuros despejos determinados pela Justiça".De acordo com Paula, a Justiça Federal se mostrou "insensível" aos sem-terra e à reforma agrária ao determinar as reintegrações de posse. "Ao invés de dar as imissões de posse dessas áreas, que foram periciadas e decretadas improdutivas há vários anos, a Justiça preferiu conceder as reintegração", disse.

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