MST desocupa fazenda produtora de camarões no Ceará

Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) deixaram nesta quarta-feira a fazenda Qualibrás, no município de Itapipoca, região litorânea do Ceará. A fazenda, que produz camarão em cativeiro, tinha sido ocupada havia dois dias. Segundo Marcelo Matos, membro da direção regional do MST, os trabalhadores decidiram sair depois de receber ameaças de jagunços. Mattos disse que a decisão foi tomada para evitar qualquer conflito que colocasse em risco a segurança das famílias. "Saímos com a perspectiva de voltar novamente, caso o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) não resolva concretamente os problemas da reforma agrária?, afirmou o representante dos sem-terra. Em reunião realizada na última terça-feira entre representantes do MST e da Superintendência do Incra no Ceará, os trabalhadores pediram a revisão de processos de vistoria na região de Itapipoca, por causa da lentidão da reforma agrária no Estado, e a demarcação de área indígena ameaçada por empreendimentos turísticos e solução para os possíveis impactos ambientais causados pela criação de camarões em cativeiro - a carcinicultura. Eles pediram também uma solução para o problema dos lixões que estão degradando o meio ambiente. A reivindicação veio em forma de denúncia. O superintendente substituto do Incra, Raimundo Cruz, informou que será criado, até o próximo dia 7, um grupo de trabalho para verificar a fundamentação da denúncia, do ponto de vista ambiental, para que se possa, então, tomar providências. De acordo com Raimundo Cruz, o grupo terá representantes de várias entidades, além do Incra, entre elas, o Ibama (Instituto do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis), a Superintendência Estadual do Meio Ambiente, o Ministério do Desenvolvimento Agrário, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Assembléia Legislativa e a Secretaria estadual de Desenvolvimento Agrário. Quanto à questão indígena, Cruz disse que não é atribuição do Incra.

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