MST desocupa fazenda Coqueiros no RS

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) desocupou a Fazenda Coqueiros nesta quarta-feira, 23, um dia depois de invadir a propriedade rural pela quinta vez nos últimos dois anos. A decisão de suspender a montagem de dois acampamentos em zonas diferentes dentro da área de sete mil hectares foi tomada antes de a Brigada Militar iniciar uma ação de despejo autorizada preventivamente pela Justiça para qualquer nova ocupação promovida pelos sem-terra.Os invasores alegaram que desistiram para evitar conflitos, porque temiam uma ação truculenta dos 150 policiais militares que se aproximavam. Na retirada, no entanto, atearam fogo a algumas barracas e à palha seca de uma lavoura.Durante a invasão, na terça-feira, os líderes do grupo de sem-terra disseram que o ato pedia a desapropriação da Coqueiros e também era um protesto contra o atraso do cronograma de assentamentos previsto pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para o Estado. Lembraram que há uma promessa de assentar 1.070 famílias neste ano e que, até agora, o programa de reforma agrária só beneficiou 98 famílias. Cerca de 2,5 mil famílias estão acampadas em diversas regiões do Estado à espera de assentamento.O agropecuarista Félix Guerra, um dos proprietários da fazenda, se queixa de tática de guerrilha usada pelos sem-terra. O MST montou dois acampamentos em áreas limítrofes à fazenda, de onde mantém a propriedade sob constante pressão.Desde abril de 2004, ocorreram cinco invasões com montagem de acampamento dentro da fazenda e diversas outras ações de um dia, como sabotagem de colheitas e plantação de milho e hortaliças. Os proprietários também registraram diversas ocorrências policiais por corte de árvores, abate de animais e incêndios na área.

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