MST desocupa área a 30 quilômetros de Porto Alegre

Os cerca de 200 sem-terra que estavam na Granja Nenê, invadida na última quarta-feira, 11, desocuparam a propriedade rural nesta segunda-feira. O grupo saiu pacificamente e entregou à Brigada Militar os facões e foices que havia usado na montagem do acampamento. Localizada em Nova Santa Rita, a 30 quilômetros de Porto Alegre, a granja tem seus 1,5 mil hectares cultivados com plantações de arroz pela proprietária Eneida Portinho. Os sem-terra voltaram para o acampamento à margem da BR-386 de onde haviam saído para invadir a propriedade rural.Em São Gabriel, no sudoeste do Estado, a Justiça determinou que o grupo de sem-terra que acampou no Parque Municipal Eglon Meyer Corrêa na quarta-feira passada saia da área pública até esta terça-feira.ProtestosA coordenação estadual do MST anunciou uma série de manifestações para esta terça-feira em várias cidades do interior do Estado para lembrar os 11 anos do massacre de Eldorado de Carajás e pedir punição aos culpados. Não foram divulgados os locais dos atos públicos, que podem incluir marchas e até o bloqueio do tráfego em algumas rodovias.Os sem-terra também vão protestar contra a violência da polícia militar gaúcha, que teria atirado num grupo de acampados depois da desocupação da Fazenda Coqueiros, em Coqueiros do Sul, no noroeste do Estado, na quinta-feira passada. O sem-terra Daniel Chavez foi atingido por uma bala que se alojou em sua nádega e teve de ser extraída num hospital de Porto Alegre. Um dos coordenadores do acampamento, Carlos da Silva Moraes, diz que os hematomas que tem no corpo são conseqüência de chutes e golpes de cassetete desferidos pelos policiais. O comando da Brigada Militar na região do planalto nega que a tropa tenha agido com violência.

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