MST desocupa agência do Banco do Brasil em Alagoas

Cerca de 200 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), desocuparam hoje à tarde a sede da agência do Banco do Brasil da cidade de Girau do Ponciano, a 161 quilômetros de Maceió. Eles ocuparam o prédi, que fica no centro da cidade, na manhã da última quarta-feira, em protesto contra o atraso no repasse de recursos para o assentamento Coqueiro Seco, que fica na região. Na quinta-feira, a ausência do gerente Clêuton Palmeira nas negociações entre a direção do banco e a representante do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, a ouvidora agrária Katiúcia Mendes, com os trabalhadores rurais sem-terra provocou mais revolta entre os camponeses, que decidiram manter a agência ocupada até que suas reivindicações fossem atendidas.Segundo a representante do Incra, a ausência do gerente do banco durante as negociações atrasou a retirada dos sem-terra. "Os trabalhadores agiram de forma pacífica, não quebraram nada e decidiram desocupar a agência, depois de garantida uma audiência marcada para a próxima segunda-feira, com a direção do Incra, na sede do Instituto, em Maceió". Os sem-terra querem recursos para a compra de alimentos e ferramentas para as atividades agrícolas no Assentamento Sete Coqueiros, na zona rural do município. Segundo o líder do movimento, José Roberto de Souza, os camponeses estão revoltados com a burocracia do Incra para encaminhar a documentação para o repasse do dinheiro para os assentados. A ouvidora agrária disse que a liberação dos recursos depende da apresentação das notas fiscais dos produtos, para que a direção do órgão possa organizar todo o processo de envio dos recursos. Enquanto as partes tentavam chegar a um acordo, a agência bancária continuava fechada, gerando um clima de insatisfação entre os moradores da região.Em toda a área em volta do prédio, policiais da 3ª Companhia Militar e do Pelotão de Operações Especiais (Pelopes) do 3º Batalhão de Polícia Militar, sediado na cidade de Arapiraca, controlavam o tráfego de veículos e a circulação de pedestres. Durante os três dias de ocupação, eles garantiram a segurança dos funcionários do banco e evitaram a possibilidade de confronto entre os sem-terra e os moradores da cidade, revoltados com o apoio da prefeitura, que doou mantimentos para as famílias acampadas.

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