MST decide manter invasões no oeste de SP

O Movimento dos Sem-Terra (MST) e sindicatos ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT) decidiram nesta terça-feira manter a jornada de invasões iniciada no domingo de Carnaval no oeste paulista. Em dois dias, foram invadidas 13 fazendas no Pontal do Paranapanema e na Alta Paulista. Outras ações estão previstas para esta quarta-feira na região de Araçatuba, nova área de atuação de Rainha. A decisão foi tomada após as declarações do secretário de Justiça de São Paulo, Luiz Antonio Marrey, de que o governo não vai tolerar as invasões e que elas "não levam a nada". Segundo José Rainha, todas as áreas transformadas em assentamentos, até agora, no Pontal, foram antes ocupadas pelos sem-terra. "A reforma agrária só avança na pressão feita pelo movimento social." Segundo ele, as ações são "legítimas" porque as áreas invadidas são terras consideradas improdutivas em vistorias do Incra ou declaradas devolutas pela Procuradoria do Estado. "A lei diz que essas terras devem ser arrecadadas para a reforma agrária." De acordo com o líder, muitos processos estão "travados" na justiça, mas os proprietários querem fazer acordo com o Estado para vender as fazendas. "Tem dez áreas nessas condições, suficientes para assentar todo mundo, mas cabe ao Itesp (Instituto de Terras do Estado de São Paulo) agilizar a negociação." Recursos disponíveisOs recursos, segundo ele, são do Incra e estão disponíveis. Rainha não concorda com a proposta anunciada pelo secretário de regularizar, através de lei, as terras do Pontal. "Será legitimar a ação dos grileiros." O presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Luiz Antonio Nabhan Garcia, acusa o MST de pressionar os donos das terras através das invasões. Segundo ele, as ações constantes dos sem-terra causam grandes prejuízos para os produtores "e ninguém é punido". A UDR pretende responsabilizar judicialmente a central sindical ligada ao PT pelas invasões. "A CUT tem personalidade jurídica e deve responder civil e criminalmente pelas ações." O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura Familiar (Sintraf), José Carlos Bossolan, disse que a luta pela terra faz parte das ações do sindicato, ligado à CUT. "Estamos há oito anos nessa luta e, antes da parceria com o MST, fizemos muitas ocupações." Hoje, o sindicato e o grupo de José Rainha pretendem invadir duas fazendas na região de Araçatuba. Nos próximos dias, serão ocupadas outras oito áreas na região de Andradina.

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