MST debate conflitos fundiários no Pontal

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do Pontal do Paranapanema, interior de São Paulo, promove hoje um fórum para debater os conflitos fundiários na região. O movimento acredita que está sendo alvo de uma campanha difamatória. O encontro terá a participação dos deputados federais José Genoino (PT) e Luíza Erundina (PSB), do presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa de São Paulo, Renato Simões, de representantes do Ministério Público, do advogado do MST, Luiz Eduardo Grenhalgh, do comando das Policiais Civil e Militar, de líderes religiosos e representantes da sociedade civil. O principal líder do MST no Pontal, José Rainha Júnior, disse que a reunião visa denunciar as perseguições contra o movimento e "mandar um recado ao Palácio dos Bandeirantes sobre os riscos de deixar o MST sem saída". De acordo com Rainha, "estão brincando com fogo e isso pode ser muito perigoso". O líder lembrou que além de responder a vários processos na Justiça, inclusive por formação de quadrilha, os dirigentes do MST têm sua cooperativa do Pontal sob intervenção, pois há suspeitas de desvio de recursos federais. O movimento sofre também a ação repressiva do Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp), que incentiva o despejo de famílias de duas fazendas da região. Essas áreas foram adquiridas em um acordo com o órgão, mas ainda estão na posse dos fazendeiros. Depois da invasão, o Itesp segundo Rainha, teria forçado os produtores a ingressar em juízo para obter mandado de manutenção de posse. O juiz deu prazo de cinco dias para a desocupação das fazendas e 15 dias para a Polícia Militar usar a força, caso as famílias se recusem a deixar as áreas. De acordo com Rainha, os sem-terra não pretendem deixar as áreas e estão dispostos a ocupar outras fazendas, que estão passando para o domínio do Estado. Ele confirmou a notícia, divulgada na última quarta-feira, de que nos próximos dias outras quatro fazendas da região de Teodoro Sampaio serão invadidas.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.