MST culpa Justiça por atraso na reforma agrária

Como já haviafeito anteriormente, o MST voltou a atacar hoje o Poder Judiciário. Em manifesto enviado por e-mail a pessoas cadastradas noseu site e à imprensa, o MST acusa a Justiça Federal de atrasar a reforma agrária na região de Andradina (SP), divisa com MatoGrosso do Sul. Segundo o MST, juízes federais dos fóruns de Araçatuba e Jales agem com parcialidade em favor de fazendeirosao nomear peritos suspeitos em ações judiciais de desapropriação de 16 áreas. O MST denuncia que a Justiça nomeoufuncionários e parentes de fazendeiros para fazer perícias em áreas consideradas improdutivas pelo Incra. De acordo com omanifesto, peritos nomeados pela Justiça dão palestras para ensinar os fazendeiros como escapar das desapropriações do Incra. No manifesto, o MST pede que as pessoas enviem mensagens por carta, fax, telegramas e e-mails para os juízes CláudioCanata, de Araçatuba, e Eduardo Henrique de Nogueira e Pedro Calado de Moraes, de Jales, e também ao procurador daRepública em Araçatuba, Paulo de Tarso Astolphi. O objetivo é pressionar a Justiça para que as perícias sejam "desconsideradasno julgamento ou que sejam realizadas novas perícias com pessoas idôneas". Segundo o MST, na região de Andradina há 1.700 famílias acampadas aguardando a desapropriação das áreas, mas 23 açõesse arrastam na Justiça, "que parece ignorar a urgência da efetivação da reforma agrária para resolver a grave questão socialbrasileira". As 23 ações tramitam no fórum de Araçatuba. O procurador da República em Araçatuba, Paulo Astolphi, disse que terconhecimento de parte das denúncias do MST. Segundo ele, procedimento administrativo foi aberto em 15 de abril para apurá-las,mas como se trata de um "tema complexo" não há prazo para concluir a apuração. Porém, segundo ele, em pelo menos umaação a Justiça desconsiderou o laudo dos peritos judiciais e confirmou o do Incra. "Não há dúvida de que as nomeações sãoestranhas, mas isso não significa que são parciais", declarou. Para Astolphi, a iniciativa do MST, de pedir que as pessoasenviem mensagens ao judiciário, "é válida, mas pode ser inútil. É um direito deles. Se houver algum documento que sirva, vouusá-lo. Senão, serão inúteis". O juiz Cláudio Canata, de Araçatuba, não foi localizado para falar sobre o assunto. O juiz, que está em férias e não respondeu às ligações, é o responsável pela maioria das nomeações de peritos. Em abril último, Canata disse que os peritospassam por triagens antes de serem nomeados.

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