MST cerca prefeitura no RS

Invasores saíram após prefeito de Nova Santa Rita prometer obras

Elder Ogliari, O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2007 | 00h00

Cerca de 150 assentados ligados ao Movimento dos Sem-Terra (MST) cercaram ontem a Prefeitura de Nova Santa Rita, na região metropolitana de Porto Alegre. Eles chegaram ao amanhecer, para exigir melhorias nos acessos rodoviários aos seus lotes de terra e obras de saneamento para as comunidades rurais.Um grupo de 30 agricultores entrou no prédio e ocupou a sala da Secretaria de Governo, ameaçando permanecer no local até serem recebidos pelo chefe do Executivo. O prefeito Amilton da Silva Amorim (PTB) aceitou receber uma comissão de 15 assentados.Os sem-terra foram embora após terem recebido a promessa de que nos próximos dias será feito o nivelamento das estradas e serão iniciados os estudos para obras de infra-estrutura. Em Cornélio Procópio, no Paraná, outros 600 integrantes do MST, que tinham invadido a Fazenda Santa Alice, no dia 1º, deixaram a propriedade na manhã de ontem. A Polícia Militar já tinha mobilizado um grupo para retirar os sem-terra, mas na última hora foi informada de que eles acatariam a ordem judicial de reintegração de posse. No final, a PM ajudou apenas no desmonte das barracas de lona.A Fazenda Santa Alice tem 1.050 alqueires e, de acordo com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), possui três proprietários. Um deles havia oferecido a propriedade para o instituto avaliar, para possível compra. No entanto, os outros não aprovaram o oferecimento e travaram o processo. A área está arrendada para várias pessoas, que se dedicam ao plantio de milho e trigo, além da criação de gado. Segundo o MST, a invasão teve como objetivo pressionar o governo federal para que assente mais famílias no Estado.GRITOHoje, militantes do MST devem participar das manifestações do Grito dos Excluídos - que, em sua 13ª edição faz campanha pela reestatização da empresa de mineração Vale do Rio Doce, privatizada durante o primeiro governo do presidente Fernando Henrique Cardoso. Por todo o País serão distribuídas urnas para que os cidadãos votem sobre a reestatização.Em São Paulo está prevista uma marcha, que começa às 9 horas, na Praça da Sé, e segue até o Museu do Ipiranga. Antes da marcha, o arcebispo de São Paulo, d. Odilo Scherer, celebrará missa na Catedral da Sé para os participantes do Grito.Na opinião de João Paulo Rodrigues, da direção nacional do MST, "o plebiscito promove o exercício legítimo e legal de decisão sobre temas importantes, como o uso e destino de nossas reservas minerais". Tanto o movimento do qual ele participa quanto as pastorais sociais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) defendem a realização de mais consultas populares sobre temas de interesse nacional, como forma de ampliar a democracia.O MST tem procurado aprofundar as alianças com outras organizações e movimentos com o objetivo de pressionar para a esquerda o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo Rodrigues, o presidente poderia fazer muito mais pelos excluídos: "Ele investiu só R$ 3 bilhões em reforma agrária, ao mesmo tempo que gastou R$ 157 bilhões com pagamento de juros."

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