MST caminha para obscurantismo, diz Roberto Freire

O episódio envolvendo o ativista francês José Bové no Rio Grande do Sul serviu para expor o "obscurantismo" para o qual está se encaminhando o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), segundo o senador Roberto Freire (PPS-PE). "Queimar pesquisa é um gesto reacionário. Não pode estar atrelado à esquerda, que sempre foi ligada ao iluminismo, à vanguarda", disse. Para o senador, o MST começa a não ser mais um movimento realmente de esquerda, depois de se envolver num ato para "pôr fogo no pensamento humano". O fogo na plantação, em sua opinião, significou o uso de um instrumento da inquisição para impedir o avanço da ciência.Freire considera inaceitável o fato de os partidos de esquerda ficarem calados diante de posições tão atrasadas e xenófobas, que defendam a auto-subsistência restrita diante de um mundo globalizado. O senador destacou essa como a principal falha da visão camponesa dos pequenos proprietários de terra europeus, apresentada ao mundo por Bové. "Eu não me preocupo com o Bové, me preocupo com a indiferença da esquerda e com a atitude de movimentos como o dos sem-terra", afirmou. Por esse motivo ele procurou o presidente do Partido dos Trabalhadores, José Dirceu. "Fui alertar o PT e recebi a resposta de que o partido não era conivente com essa atitude." Freire acrescentou ainda que a manifestação nas terras da Monsanto acabaram por misturar, "num mesmo balaio, pessoas que pensam num mundo melhor com outras que têm idéias reacionárias". "Até mesmo Stálin cometeu barbaridades como essas, e nós (a esquerda) estamos pagando por isso até hoje", lembrou o senador.

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