MST bloqueia fronteira, Parmalat e 3 estradas

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) bloqueou hoje a fronteira do Brasil com a Argentina, em Uruguaina (RS), e a entrada da multinacional Parmalat, em Carazinho, a 296 quilômetros da capital. O objetivo das manifestações, deflagrada em outros países pela organização conhecida como Via Campesina, é protestar contra a importação de alimentos e a política agrícola do governo federal. "O governo FHC está globalizando a miséria e aumentando o lucro das multinacionais", afirmou uma das coordenadoras estaduais do MST, Ivanete Tonin, que liderou o movimento em Carazinho. "Em 1994 vendíamos o litro do leite a 24 centavos e o consumidor comprava a 40 centavos. Hoje vendemos a 20 centavos, e o consumidor paga 90".Os mil sem-terra que estão na frente da Parmalat impediram a troca de turno da fábrica, e os trabalhadores foram dispensados. A Brigada Militar acompanha a mobilização, mas não houve nenhuma ação. O MST protesta contra uma portaria do Ministério da Agricultura que obriga os produtores de leite a usar ordenha mecânica e resfriador a granel até junho. Essa determinação, segundo Ivanete, vai provocar a quebradeira de muitos agricultores que não têm recursos para a modernização. "Em 1995 havia 1,5 milhão de produtores de leite e hoje são apenas 900 mil", disse Ivanete.Em Uruguaiana, cerca de 2 mil pessoas ocuparam desde as 7h a Ponte Internacional da Amizade, impedindo a entrada de caminhões com produtos importados. "Com as importações, os produtos dos pequenos agricultores ficam estocados nos galpões", reclama o líder do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Gilberto Tuhtenhagem. "O custo da saca de milho é 8 reais e estamos sendo obrigados a vender por 5 ou 6 reais por causa das importações".A movimentação do MST e do MTA está sendo monitorada desde ontem pela Polícia Federal e pela Polícia Rodoviária. Em Uruguaina, alguns ônibus chegaram a ser barrados, mas os sem-terra seguiram a pé até a fronteira. Em Porto Alegre, a PF orientou a Superintendência do Incra a não abrir a sede do instituto hoje para evitar uma eventual invasão do MST, a exemplo do que aconteceu em setembro passado. "A PF está aconselhando o Incra a ter precaução", disse o superintendente Jânio Guedes. A única mobilização do MST em Porto Alegre, por enquanto, é na Assembléia Legislativa, onde um grupo de 50 acampados participa de uma sessão da Comissão de Direitos Humanos em memória dos 19 agricultores mortos em Eldorado dos Carajás, em 1996.O MST também bloqueou hoje de manhã três estradas no Rio Grande do Sul, por 19 minutos, em memória dos mortos: a BR-290, em Arroio dos Ratos; a BR-377, em Cruz Alta; e a BR-293, em Bagé, onde os sem-terra preparam-se para fazer um abraço ao Fórum da cidade, em protesto pela lentidão da Justiça em julgar os assassinatos de trabalhadores rurais.

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