MST bloqueia estrada no Pontal

Cerca de 200 integrantes do Movimento dos Sem Terra (MST) bloquearam na manhã hoje a Rodovia Arlindo Bétio (SP-613), no município de Euclides da Cunha, no Pontal do Paranapanema, extremo oeste de São Paulo, para protestar contra o programa de erradicação do cancro cítrico do governo do Estado. A rodovia é a principal ligação, na região, entre os Estados de São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul. Os sem terra aproveitaram para protestar, também, contra a prisão do líder do Assentamento Chico Mendes, Laílton Reis Cardoso, preso em flagrante, ontem, matando o gado de uma fazenda. Eles ergueram uma barricada com pés de laranja cortados e atearam fogo a pneus velhos, na altura do quilômetro 48. Sobre a barreira, foi içada uma bandeira do MST. Segundo o líder Walter Gomes, a Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento está cortando os pomares de citros dos assentamentos da região sem dar garantia de replantio ou indenização. "Estamos pedindo há um ano que nos sejam fornecidas mudas de outras frutas para substituir as plantas cortadas." Os focos de cancro cítrico estão sendo erradicados para não prejudicar as exportações do suco de laranja produzido em São Paulo.A manifestação de ontem foi a primeira ação do MST depois da libertação dos 16 integrantes que tinham participado da invasão da fazenda do presidente Fernando Henrique Cardoso, em Buritis (MG). O fechamento da rodovia causou o protesto dos usuários. O assentado Antonio de Souza tentou furar o cerco com uma carga de melancias, mas foi barrado. Os manifestantes ameaçaram saquear as frutas. Ele reagiu enfurecido: "Tirar o que é meu, só me matando". Em seguida, deu ré e voltou para casa. "Acho absurdo eles atribuirem a culpa disso a quem está na estrada", disse o advogado Arnô Libera Júnior. O caminhoneiro João Popin, de 73 anos, disse que os assentados tinham razão quanto ao corte dos pomares, mas deveriam pressionar o governo de outra forma. "Saí às 3 da manhã de casa." O médico Ovídio Gaião reclamou da demora na chegada da polícia. "O governo não manda mais nada." Policiais militares de Rosana e Euclides da Cunha chegaram uma hora depois do início da manifestação. O sargento José Wanderley da Silva pediu a liberação da estrada. Gomes disse que liberaria a passagem dos veículos parados e fecharia em seguida. Segundo ele, o fim do protesto estava condicionado a uma posição da Secretaria da Agricultura. "Queremos que os cortes parem imediatamente."Troca de tirosO prefeito de Rosana, Álvaro Augusto Rodrigues (PSDB), esteve no local e intermediou as negociações do MST com o secretário José Carlos de Souza Meirelles. O governo e os sem terra chegaram a um acordo. O secretário prometeu suspender temporariamente os cortes e enviar um emissário para negociar com os assentados. Às 11h30, o bloqueio foi suspenso. Segundo Gomes, a prisão do líder do Assentamento Chico Mendes acabou não entrando nas negociações. "Estamos revoltados porque ele apanhou da polícia", acusou. Cardoso foi preso quando um grupo de assentados desossava e carregava a carne de três vacas, abatidas a tiros, na noite de terça-feira, na fazenda Água Sumida, da pecuarista Yolanda Chibilli Bassit, em Rosana. Avisada por um funcionário, a PM cercou o local. Três assentados, que estavam armados com espingardas, trocaram tiros com os policiais. Apenas Carodoso foi detido. Ele foi autuado em flagrante por furto qualificado, resistência, tentativa de homicídio e formação de quadrilha, e transferido para a cadeia pública de Teodoro Sampaio. Dos outros dez integrantes do grupo, quatro tinham sido identificados e estavão sendo procurados.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.