Ricardo Galhardo/Estadão
Ricardo Galhardo/Estadão

MST ataca Judiciário, culpa mídia e diz que golpe ainda não acabou

Movimento divulga nota de repúdio à decisão de tribunal sobre condenação e aumento da pena de Lula

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

25 Janeiro 2018 | 11h19

Em nota divulgada no final da noite de quarta-feira, 24, após a decisão que confirmou a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por corrupção e aumentou sua pena para 12 anos e 1 mês de prisão, o Movimento dos Sem Terra (MST) atacou o Judiciário e a imprensa. Para o MST, que bloqueou rodovias e organizou marchas e acampamentos em defesa do aliado, “o golpe e a destruição de direitos ainda não terminaram”. No texto, o MST convoca outros movimentos populares para uma greve geral contra a reforma da Previdência. 

“Nos últimos anos, a sociedade brasileira tem tido seus direitos fundamentais atacados sistematicamente pelos Poderes legislativos e por aquele que deveria zelar pela Constituição e os direitos: o Judiciário”, diz a nota, alegando que a condenação sem crimes e sem provas foi o parâmetro para afastar a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e, agora, para condenar Lula. “Do povo foi retirado seu desejo manifesto nas urnas com a eleição de Dilma e, agora, sequer a possibilidade de eleger um presidente pode ser exercida pela população”, diz a nota.

O líder do movimento, João Pedro Stédile, afirmou que os movimentos populares não aceitarão e impedirão a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em reunião do Diretório Nacional do PT. De acordo com a Coluna do Estadão, a Polícia Federal começou a se preparar para uma possível prisão do líder petista.

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Para o MST, “o desprezo do Judiciário por aquilo que deveria ser a razão de sua existência – a presunção da inocência, o direito à defesa, a apresentação de provas, o cumprimento da lei – é uma das faces do mesmo projeto que, por outro lado, retira direitos com a reforma trabalhista, a reforma da Previdência, os maiores índices de desemprego, o pior salário mínimo de todos os tempos, a privatização de empresas estratégicas e o ataque sistemático à Petrobrás e o saqueio do pré-sal”. O movimento afirma que o resultado deste 24 de janeiro não surpreende porque já vinha sendo defendido pela mídia, que chama de “terceiro elo do golpe”.

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“Entretanto, as ruas de Porto Alegre e de todo País demonstraram claramente sua opinião de que eleição sem Lula é fraude. De que nem o aparato repressivo desproporcional, nem a campanha sistemática da Rede Globo e nem o desejo do capital beneficiado pela retirada dos direitos podem nos intimidar, ou seja, não podem cercear nossos direitos e de que a ditadura judiciária-midiática não será imposta sem resistência”, prossegue. Na quarta, o prédio da Rede Globo do Rio de Janeiro foi invadido e pichado por militantes do MST – a emissora não se manifestou sobre a invasão. 

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O MST reafirma na nota a solidariedade ao ex-presidente e sua luta em defesa do direito de que Lula possa ser candidato. “Seguiremos mobilizados e convocamos toda sociedade para a greve geral contra a reforma da previdência. Nesse sentido, nos somaremos à Frente Brasil Popular (organização de movimentos sociais e estudantis) nas diversas mobilizações e atividades para que, não apenas o direito de Lula ser candidato seja respeitado, mas os direitos de todos os brasileiros e brasileiras de exercerem sua cidadania”, conclui.

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